Nasa diz que Artemis 2 inaugurou uma nova era de exploração espacial
Relembre momentos-chave e outros fatos curiosos sobre a missão Artemis 2
Uma pelúcia de Lua flutuando. Cookies comidos no lado escondido do satélite natural da Terra. A única privada da missão lunar com defeito. Uma Nutella flutuando em meio a astronautas trabalhando. Uma emocionada homenagem. E olhos humanos vendo um eclipse solar direto do espaço.
Os americanos Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e o canadense Jeremy Hansen, 50 voltaram à Terra na sexta-feira (10). Eles contornaram a Lua e se tornaram os humanos a viajar mais longe da Terra.
E também fizeram história ao participar da primeira missão a levar humanos ao redor da Lua neste século.
Veja a seguir alguns dos principais momentos e outros curiosos da missão do quarteto, agora de volta ao planeta.
Lançamento da
histórica missão
Após um considerável atraso, a missão com Wiseman, Glover, Koch e Hansen decolou, com sucesso, em 1º de abril de 2026. Eles partiram de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA).
Rastro da missão
Um rastro em zigue-zague logo acima da Terra foi o sinal deixado pela Artemis 2. Ele foi visto e registrado pelo americano Chris Williams, que passa uma temporada na ISS (Estação Espacial Internacional). Ele só não teve a sorte de ver a nave.
Diferenças políticas, mas concordância quanto ao espaço sideral
Pesquisa da Reuters/Ipsos durante a Artemis 2 mostra que 69% dos americanos disseram estar empolgados com a exploração espacial e aproximadamente 80% têm visão favorável da Nasa, incluindo grandes maiorias tanto de republicanos quanto de democratas.
Uma pelúcia no espaço
Um pequeno bichinho de pelúcia, criado por uma criança, acompanhou os astronautas durante a missão e as conversas, ao vivo, que tiveram com a Terra. Era o sempre sorridente Rise.
Morcego na Orion
Wiseman brincou que Koch dormiu, na viagem, "de cabeça para baixo no meio do veículo, tipo um morcego pendurado no nosso túnel de acoplamento". Koch lembrou, porém, que não existe teto ou chão no espaço.
Missão Nutella?
O que em um filme ou uma postagem em rede social poderia ser uma inserção publicitária, na nave da Artemis 2 era apenas um dos itens do cardápio dos astronautas. Durante a transmissão da missão, um pote de Nutella pôde ser visto flutuando ao lado da tripulação. Assim como na Terra, um docinho sempre vai bem.
'Pôr da Terra'
William Anders, da Apollo 8, fez a famosa foto "Earthrise" (nascer da Terra) em dezembro de 1968, na véspera do Natal. Após 57 anos, a tripulação da Artemis 2 apresentou a foto "Earthset" (pôr da Terra).
Uma cratera lunar chamada Carroll
A esposa de Wiseman, Carroll Taylor Wiseman, morreu em 2020. Como homenagem, a tripulação da Artemis 2 indicou uma cratera, que puderam ver ao se aproximar da Lua, para receber o nome Carroll. A situação levou a um momento emocionante durante a missão.
Apagão
Ao dar a volta na Lua, a Artemis 2 ficou cerca de 40 minutos sem contato com a Terra. A missão levou os astronautas para o mais longe da Terra que uma pessoa já foi.
O lado escuro
dos cookies
Os astronautas passaram pelo lado oculto da Lua e viram paisagens que nenhum olho humano havia visto pessoalmente antes. E, enquanto viviam uma parte da história, eles decidiram por um breve momento celebrar com cookies.
Eclipse solar
Durante a volta na Lua, os astronautas puderam presenciar um eclipse solar do espaço, com a Lua se posicionando entre a nave Orion e o Sol. Esse era um dos momentos mais esperados para observações científicas.
Alegria de quem
vai e de quem fica
Na Nasa, aqueles que acompanhavam a jornada e davam apoio à Artemis 2, sorriram, emocionaram-se e celebraram as observações científicas da missão.
Treinados para fotografar
Os astronautas tiveram um detalhado treinamento para conseguir tirar boas e necessárias fotos durante a missão. Tiveram direito até a uma Lua inflável para praticar.
Uma privada e
um problema
Logo no início da viagem, um alerta soou na missão: a privada do único e exclusivo banheiro -que não existiu em outras missões à Lua - não estava funcionando como deveria. Koch foi a responsável por tentar resolver a situação. "Tenho orgulho de me chamar de encanadora espacial."
De volta pra casa
A amerissagem ocorreu exatamente como planejado, inclusive com precisão no horário: 21h07 (horário de Brasília).
Mas, após dias se comunicando do espaço com a Terra praticamente sem atrasos, os tripulantes da missão não conseguiam contato com os mergulhadores que deveriam ir tirá-los de dentro da nave, que permaneceu intocada, por um bom tempo, boiando no mar.
Nova era para
exploração espacial
"Este é o começo de uma nova era da exploração espacial humana", afirmou Howard Hu, gerente do programa Orion na Nasa, a nave tripulada que levou os astronautas da missão Artemis 2 à Lua, durante entrevista coletiva após o pouso bem-sucedido da cápsula nas águas do Pacífico na noite desta sexta-feira (10). "Nós vamos ter vários desses momentos a partir de agora."
A fala de Hu -apreciando o momento atual, mas já mostrando foco no que vem a seguir em missões espaciais- captura o espírito e as falas de todos os representantes da Nasa presentes na entrevista coletiva que marcou o sucesso da Artemis 2. A missão que acaba de ser concluída também foi lembrada como um voo de teste.
O olhar para o futuro próximo ficou claro quando uma pergunta sobre a Artemis 3 foi respondida, sem muitos rodeios.
Amit Kshatriya, administrador-associado da Nasa, foi direto ao falar que, em breve, a tripulação da Artemis 3 será anunciada. "Não vou colocar números, mas em breve", disse.
O plano para essa missão é testar os módulos de pouso lunar em um voo em órbita baixa da Terra.
Tanto a SpaceX, de Elon Musk, quanto a Blue Origin, de Jeff Bezos, estão desenvolvendo módulos para o programa Artemis, em uma disputa para ver qual empresa será a primeira a realizar o pouso na Lua para a Nasa.
A missão atualizada da Artemis 3 envolverá a Orion, com astronautas a bordo, demonstrando a capacidade da cápsula de acoplar com um ou ambos os módulos de pouso em órbita baixa da Terra. O processo é uma etapa crucial no caminho da agência até a Lua.
Já para 2028 está programada a Artemis 4, na qual a Nasa espera recolocar humanos sobre o solo lunar.
"O caminho para a superfície lunar está aberto", afirmou Kshatriya. "O trabalho daqui para frente é maior do que o que ficou para trás. Sempre será. Cinquenta e três anos atrás a humanidade deixou a Lua. Dessa vez nós voltamos para ficar."
Quando questionado sobre o principal desafio para que a empreitada atual não termine como terminaram as missões Apollo --que começaram em meio a uma corrida espacial, mas que não tiveram, necessariamente, uma continuidade em relação à Lua--, Kshatriya afirmou: "Os arquitetos da Apollo queriam aprender a trabalhar e viver no espaço por um longo tempo. Mas, por causa da natureza do ambiente em que estavam, em uma corrida. Eles atingiram seus objetivos geopolíticos e tecnológicos. Mas, uma vez que estava feito, acabou."
Segundo Kshatriya, o que se queria construir lá atrás foi feito na sequência, como a partir da contínua presença de pessoas na órbita terrestre, na ISS (Estação Espacial Internacional) por mais de duas décadas.
"É uma estranha ironia da história ter levado tanto tempo para conseguirmos fazer isso. Mas não ficamos parados. Desenvolvemos as capacidades para ter uma presença duradoura no espaço. E agora vamos aproveitar isso, agora que voltamos à Lua", afirmou Kshatriya.
Um dos jornalistas que participaram da entrevista coletiva pediu que os representantes da Nasa escolhessem seus momentos favoritos da missão.
Shawn Quinn, gerente do Programa de Sistemas Terrestres de Exploração, escolheu o lançamento do foguete SLS, que deu início à missão, em 1º de abril, em Cabo Canaveral, na Flórida.
Hu disse que a abertura dos paraquedas, considerando as velocidades envolvidas. "Eu estava falando comigo mesmo 'vai, vai vai'. Me filmaram fazendo isso, achando que eu estava louco."
Rick Henfling, diretor de voo de reentrada da Artemis 2, afirmou que a sugestão de nomes para duas crateras foi seu momento favorito. Esse foi um ponto particularmente emocionante na missão, levando os astronautas às lágrimas. Isso porque a tripulação sugeriu que uma das crateras seja batizada de Carroll, nome da esposa de Reid Wiseman, comandante da Artemis 2. Ela morreu em 2020.
"Quando eles responderam, depois da amerissagem: 'quatro tripulantes verdes [fala de Wiseman, que significa que todos na nave estavam bem]'. E quando vimos Christina [Koch] saindo da cápsula", disse Lori Glaze, diretoria de Missão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração, sobre seus momentos favoritos.
"O meu é fácil. Vai ser amanhã quando eu encontrar meus amigos de novo", afirmou Kshatriya, possivelmente se referindo aos astronautas - durante a entrevista coletiva, ele havia reforçado a importância de trazer a tripulação de volta em segurança.
Por Phillippe Watanabe (Folhapress)