Trump define qual seria o "pior cenário possível" no Irã
Guerra iniciada por EUA e Israel já matou mais de 787 iranianos
No quarto dia da guerra no Oriente Médio, o presidente Donald Trump disse que os iranianos que os Estados Unidos tinham em mente para liderar o país no pós-guerra "estão mortos". "Tudo foi destruído", disse nesta terça (3).
"Como vocês sabem, 49 pessoas [da liderança iraniana] foram mortas no primeiro ataque. E acho que houve outro hoje contra a liderança, que parece ter sido significativo", afirmou, em aparente referência ao bombardeio contra o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom —não se sabe se os clérigos do órgão, que seleciona o líder supremo do Irã, estavam no local, que foi completamente destruído.
Trump disse também que "pior cenário possível" no Irã seria um líder "tão ruim" quanto o aiatolá Ali Khamenei, morto pelos Estados Unidos nos ataques do sábado (28). Trump conversou com jornalistas durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Alemanhã, Friedrich Merz, à Casa Branca.
Na segunda, ao falar com jornalistas, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA enfrentavam uma ameaça iminente porque Israel estava prestes a atacar o Irã, e que Teerã estaria preparado para retaliar contra forças americanas. Durante encontro com Merz, porém, Trump contradisse essa versão ao dizer que ele é quem pode ter "forçado a mão de Israel" para dar início ao bombardeio.
"Acho que eles iam atacar primeiro, e eu não queria que isso acontecesse. Então, se for o caso, pode ser que eu tenha forçado a mão com Israel", afirmou o presidente.
O republicano disse ainda que "provavelmente há uma terceira onda" de ataques contra a liderança iraniana a caminho.
Mais cedo nesta terça, Washington e Teerã deram sinais de que não há espaço para diplomacia no momento. Trump escreveu nas redes sociais que "as defesas aéreas, Força Aérea, Marinha e liderança [do Irã] se foram". "Eles querem conversar. Eu disse: tarde demais!", completou o presidente.
Algumas horas depois, o embaixador da missão iraniana à ONU em Genebra, na Suíça, desmentiu Trump, dizendo que Teerã não está em contato com os EUA —seja para interromper a guerra, seja para retomar negociações sobre seu programa nuclear. "Por ora, temos sérias dúvidas sobre a utilidade de negociações", afirmou Ali Bahreini. "A única linguagem que os EUA entendem é a linguagem da defesa. Não é o momento de abrirmos canais de diálogo."
A guerra teve início no sábado (28). Desde então, ataques articulados por Washington e Tel Aviv mataram pelo menos 787 pessoas no Irã, segundo balanço do Crescente Vermelho, o braço da Cruz Vermelha para países muçulmanos. Ataques iranianos, por sua vez, mataram dez em Israel e seis militares dos EUA em bases no Oriente Médio.
Por Isabella Menon e Victor Lacombe (Folhapress)
