Pesquisa traça perfil de apoiadores dos Trump

Republicanos tradicionais e direita relutante sustentam trumpismo

Por Por Isabella Menon (Folhapress)

O presidente dos EUA, Donald Trump, construiu uma coalizão de eleitores - não um culto. É o que aponta a pesquisa Beyond Maga: A Profile of the Trump Coalition (Além do Maga, O Perfil da Coalizão de Trump, em inglês), segundo a qual os eleitores do republicano se dividem, em linhas gerais, em quatro grupos: Maga radicais (sigla em inglês para o slogan "Faça a América Grande Novamente"), direita relutante, conservadores anti-woke e republicanos tradicionais. O levantamento, conduzido pelo centro de pesquisas More in Common, entrevistou 18 mil americanos. Para o diretor-executivo da organização nos Estados Unidos, Jason Mangone, os resultados indicam que a base de apoio do presidente é mais "diversa e internamente dividida do que muitos supõem".

A divisão em quatro grupos fica clara no peso da identidade: apenas 38% dos eleitores de Trump se identificam como Maga. Enquanto esse núcleo vê o presidente como uma espécie de enviado divino, a chamada "direita relutante" o enxerga como um CEO pragmático, contratado para consertar a economia.

Embora o presidente venha registrando, nas últimas semanas, um aumento da impopularidade em meio a escândalos - como a morte de cidadãos americanos em ações de agentes da imigração -, a adesão entre seus eleitores permanece alta. "Passado mais de um ano de seu segundo mandato, o apoio a Trump continua forte, especialmente entre seus eleitores mais comprometidos, mesmo que alguns, nas margens, tenham sentimentos ambíguos", afirma Mangone.

O que mantém esses diferentes grupos unidos, porém, é a existência de um inimigo comum: o avanço do chamado movimento "woke" (apoio a pautas consideradas progressistas), visto como uma ameaça por 75% da base em geral. Mesmo entre os mais moderados, como os republicanos tradicionais, 65% consideram o tema um problema real.

A pesquisa também identificou uma tendência associada: jovens defendem papéis de gênero mais rígidos do que os das gerações anteriores, em sintonia com a rejeição ao movimento woke. Como exemplo desse fenômeno, o levantamento mostra que 26% dos eleitores da geração Z concordam com afirmações como "o homem deve liderar e a mulher seguir" - percentual que cai para 10% entre os baby boomers.

"Chamamos isso de um - novo tradicionalismo - emergente entre eleitores mais jovens de Trump. Estamos observando uma mudança geracional real em direção a visões mais tradicionais sobre fé e gênero", declara Mangone.

Esse grupo também enxerga a religião como um ato de resistência cultural. Para 43% dos jovens eleitores de Trump, ser religioso hoje é um gesto mais "rebelde" do que ser ateu, invertendo a lógica contracultural das décadas passadas.