Trump acelera o 'Relógio do Juízo Final'
Relógio avança quando se aproxima o "fim do mundo"
O ano do retorno de Donald Trump à Casa Branca viu os ponteiros do Relógio do Juízo Final, que já estavam no pior nível de sua história, se aproximarem ainda mais da meia-noite que simboliza o fim do mundo como o conhecemos. Na edição 2026, lançada pela ONG americana Boletim dos Cientistas Atômicos na terça (27), os ponteiros foram de 89 para 85 segundos antes da fatídica hora. Desde 1947, um comitê de especialistas analisa aspectos da segurança global para determinar o quão perto do apocalipse o planeta está.
"O Relógio é uma metáfora, mas também um chamado à ação", disse a presidente do Boletim, Alexandra Bell. "Não houve avanços suficientes, e tivemos de mover o Relógio", afirmou no lançamento.
Os especialistas que elaboram o Relógio criticaram diversos aspectos da administração Trump, mas também citam o comportamento agressivo de potências como a Rússia e a China, exortando os líderes dos três países a mudarem de atitude apesar "de suas tendências autocráticas".
"Obviamente, os atos dessa administração [dos EUA] ajudaram a mover o Relógio. O presidente está destruindo 50 anos de controle de armas nucleares, atacando instrumentos para conter a crise climática, atacando a academia. Mas o Relógio vai além, é global", disse Bell.
Apesar de o republicano dizer que acabou com sete guerras, algo longe da realidade, e de ter pleiteado o Nobel da Paz, o mundo ficou mais instável em seu segundo mandato, marcado por voluntarismo e intervencionismo extremos.
Se a guerra na Faixa de Gaza acabou com o território em ruínas, ele bombardeou o programa nuclear do Irã e ameaça repetir a dose de forma mais ampla. Um dos poucos acertos genuínos, um acordo entre os beligerantes Azerbaijão e Armênia, contrasta no espaço ex-soviético com o fracasso em acabar rapidamente com o conflito na Ucrânia.
No mais, Trump minou o sistema multilateral em que o mundo no qual o Relógio nasceu se baseava. Retirou-se de dezenas de organismos internacionais, boa parte dele da cada dia mais obsoleta ONU, e atacou diretamente aliados na Europa - a ponto de ameaçar tomar à força a Groenlândia da Dinamarca.
Por fim, elaborou uma Estratégia de Segurança Nacional, agora amparada pela regulamentação proposta pelo Departamento de Defesa, que ele chama de pasta da Guerra. O texto prevê a recriação de zona de influência explícita na América Latina, como Maduro descobriu na madrugada do dia 3 deste mês.
Não apenas isso. "Essa administração cortou fundos para usarmos a inteligência artificial de forma a nos proteger", disse Asha George, uma das 16 pessoas que elaboraram o Relógio deste ano. A jornalista Maria Ressa, Nobel da Paz em 2021, enfatizou o risco do "apocalipse informativo" em curso.
