Novo mandato de Trump é marcado por cortes
Crises humanitárias aumentaram no mundo após cortes dos EUA
O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump marca o maior recuo dos Estados Unidos em décadas de ajuda internacional de saúde, com efeitos que já se fazem sentir em hospitais, campos de refugiados e programas de combate a doenças na África, no Oriente Médio e no sul da Ásia.
Aos cortes bilionários nos programas da Usaid, agência de ajuda externa dos EUA extinta oficialmente em julho passado, soma-se a retirada americana da OMS (Organização Mundial da Saúde), iniciada logo após Trump ter tomado posse, em 20 de janeiro de 2025. O processo dura um ano e termina nesta semana.
Na última terça (13), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a retirada tornará os EUA e o mundo menos seguros. "Lamento profundamente essa decisão. A retirada da OMS é uma perda para os Estados Unidos e para o resto do mundo. Não é a decisão certa", afirmou Tedros em entrevista à imprensa, em Genebra.
A saída oficial dos EUA da OMS ocorre no mesmo momento em que estudos mostram que os cortes promovidos por Trump na ajuda internacional já estão tendo impacto sobre a mortalidade em países pobres.
Uma pesquisa do CEPR (Center for Economic and Policy Research), publicada em dezembro de 2025, indica que a retração do financiamento americano pode estar associada a um número de mortes adicionais entre 500 mil e 1 milhão em 2025. O valor pode chegar a 1,6 milhão por ano se os compromissos futuros de gasto não forem retomados.
Os Estados Unidos seguem sendo, em termos absolutos, o maior financiador mundial de saúde global e assistência humanitária. Em janeiro de 2025, a Casa Branca anunciou uma "pausa" nos desembolsos da Usaid, seguida pelo cancelamento em massa de convênios e contratos, formalizados pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
A decisão, justificada como um esforço para eliminar desperdícios e ônus ao povo americano, desorganizou cadeias globais de fornecimento de medicamentos, alimentos terapêuticos e serviços de emergência.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA informou que negociou acordos com 16 países africanos para fornecer mais de 11 bilhões de dólares em ajuda à saúde nos próximos cinco anos, em um novo modelo de auxílio que substitui o que era oferecido pela Usaid e que está condicionado a um compromisso de cofinanciamento do país parceiro.
Enquanto isso, os efeitos combinados dos cortes e do isolamento institucional em 2025 já são visíveis. Convênios cancelados pela Usaid sustentavam, por exemplo, o tratamento antirretroviral (HIV/Aids) de 2,3 milhões de pessoas, segundo estimativas do CEPR.
