UE defende Groenlândia de ameaças de Trump

Europa sai em defesa da Groenlândia contra os EUA

Por Por Igor Gielow (Folhapress)

A população da Groenlândia é soberana para decidir seu futuro político, e o território do Ártico é parte da Otan que deve ter sua integridade respeitada segundo preceitos da Carta da ONU.

As afirmações estão em um comunicado conjunto de líderes da União Europeia, que reagiram nesta terça-feira (6) à nova investida do presidente americano, Donald Trump, sobre a ilha que é integrante autônoma do Reino da Dinamarca - 1 dos 32 membros do clube militar ocidental, liderado de forma hesitante pelos Estados Unidos.

"A Groenlândia pertence a seu povo. Cabe apenas à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobe assuntos envolvendo a Dinamarca e a Groenlândia", disse o texto conjunto dos governos da França, Alemanha, Itália, Espanha, Polônia, Reino Unido e Dinamarca.

"A Otan já deixou claro que o Ático é uma pioridade, e os aliados europeus estão reforçando sua presença e investimentos lá", afirmou o texto, em resposta à insinuação do republicano de que a ilha está desprotegida.

No domingo (4), um dia depois de atacar a Venezeual e capturar o ditador Nicolás Maduro com sua esposa, Trump afirmou a repórteres no avião presidencial que "nós precisamos da Groenlândia do ponto de vista de segurança nacional".

Não é a primeira vez que ele toca essa tecla. Desde que voltou ao poder, há quase um ano, Trump fala insistentemente na necessidade de tomar o território dinamarquês, gerando uma crise política com seus desconfiados aliados europeus.

Aos poucos, o tema saiu do radar, dada a balbúrida geopolítica sob sua Presidência, de Gaza à Ucrânia, passando por guerra tarifária e pela reformulação de prioridades domésticas. Em dezembro, o assunto foi retomado quando Trump tomou a criticada decisão de nomear um enviado político para a ilha.

A ação bem-sucedida do ponto de vista militar do sábado (3) em Caracas reativou de vez a obsessão do presidente. Ela se encaixa nos termos da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que retoma com referência literal a ideia de aplicar a força para fazer valer a Doutrina Monroe de 1823, que defendia a hegemonia hemisférica americana.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, havia dito na segunda (5) que qualquer ataque americano à ilha significaria "o fim da Otan". Membros da aliança já se estranharam militarmente, como a Grécia e a Turquia, mas nunca houve uma ameaça do criador do grupo a um colega.

Diferentemente da Venezuela e seu petróleo, os interesses na ilha congelada do Ártico são diversos.