Trump anuncia "guerra econômica" contra o Irã e ameaça aliados

Presidente dos EUA promete ampliar isolamento de Teerã e diz que países que mantiverem relações econômicas com os iranianos também enfrentarão sanções

Por Ana Laura Gonzalez

Trump afirmou esperar que os países aliados dos Estados Unidos participem dos esforços

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma ofensiva econômica contra o Irã e ameaçou impor consequências a países que continuarem ajudando a manter a economia iraniana em funcionamento.

Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou a medida como uma “guerra econômica” e afirmou que pretende promover uma operação de grande escala para pressionar e isolar o governo iraniano.

Segundo o presidente americano, países que permitirem que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos públicos forneçam apoio ao Irã também poderão sofrer “consequências econômicas enormes”.

Trump citou ainda atividades como contrabando de petróleo, transferências financeiras, operações de câmbio, registros de embarcações e utilização de empresas de fachada. O presidente, porém, não apresentou detalhes sobre como a nova ofensiva será implementada nem explicou quais medidas poderão ser adotadas contra governos que mantenham relações comerciais com Teerã.

Trump cobra apoio de aliados

O presidente americano afirmou esperar que os países aliados dos Estados Unidos participem dos esforços para “isolar” e “derrotar” o que chamou de ameaça iraniana.

A declaração ocorre em meio ao agravamento das relações entre Washington e Teerã. Segundo Trump, a decisão de ampliar a pressão econômica está relacionada ao fracasso das negociações entre os dois países sobre o programa nuclear iraniano.

Estados Unidos e Irã haviam iniciado conversas no começo do ano para tentar chegar a um acordo sobre a questão nuclear. O processo, no entanto, não avançou, e a deterioração das relações contribuiu para o início de um conflito entre os dois países.

Trump afirmou que a nova ofensiva terá como objetivo asfixiar economicamente o Irã.

Irã já enfrenta uma série de sanções

O impacto da nova estratégia americana ainda é incerto. O Irã já está submetido a diversas sanções internacionais que dificultam o acesso do país a mercados, investimentos e transações financeiras.

Em janeiro, Trump havia anunciado uma tarifa de 25% sobre produtos de países que realizassem negócios com o Irã, ampliando a pressão econômica sobre parceiros comerciais de Teerã.

Apesar das restrições, o Irã mantém relações comerciais com diversos países, especialmente por ser um importante produtor de petróleo.

Segundo dados do Banco Mundial citados no levantamento, o país exportou produtos para 147 países em 2022.

China é principal parceiro comercial

A China é atualmente o principal parceiro comercial do Irã. Em 2022, as exportações iranianas para o mercado chinês chegaram a aproximadamente US$ 22 bilhões, enquanto as importações provenientes da China somaram cerca de US$ 15 bilhões.

A Índia também aparece entre os principais parceiros. Nos primeiros dez meses de 2025, o comércio entre os dois países alcançou aproximadamente US$ 1,34 bilhão.

Entre os principais produtos exportados pela Índia para o Irã estão arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos.

Alemanha, Coreia do Sul e Japão também aparecem entre os parceiros comerciais do Irã. Os três países, porém, mantêm alianças estratégicas com os Estados Unidos.

Relação comercial entre Brasil e Irã

O Irã não está entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O país, entretanto, está entre os principais destinos das exportações brasileiras no Oriente Médio.

Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 2,9 bilhões em produtos para o Irã, com destaque para milho, soja e açúcar.

No sentido contrário, as importações brasileiras de produtos iranianos somaram cerca de US$ 84,5 milhões, principalmente em itens como ureia, pistache e uvas secas.

A eventual ampliação das sanções americanas contra parceiros comerciais do Irã poderá afetar países e empresas que mantenham relações econômicas com Teerã, embora Trump ainda não tenha detalhado quais mecanismos pretende utilizar nem quais governos seriam diretamente atingidos.