Alertas de Israel sobre planos do Irã contra Trump influenciaram guerra, diz agência

Com ameaças de atiradores, facas e até mísseis contra o Air Force One, inteligência israelense moldou decisões da Casa Branca em meio a divergências com os EUA

Por Ana Laura Gonzalez

Relatórios começaram a ser transmitidos por Israel na véspera de um conflito de 12 dias em junho de 2025

Os Estados Unidos receberam uma série de alertas contundentes de Israel ao longo do último ano apontando que o Irã tramava o assassinato do presidente Donald Trump. De acordo com informações reveladas por fontes oficiais à agência Reuters, os avisos precederam manobras de segurança drásticas — incluindo a remoção secreta de Trump do Air Force One na Turquia — e pesaram na decisão do governo americano de lançar uma campanha militar contra Teerã.

Os relatórios começaram a ser transmitidos por Israel na véspera de um conflito de 12 dias em junho de 2025 e ganharam intensidade antes da ofensiva americana em fevereiro de 2026. Os cenários mapeados por inteligência estrangeira incluíam desde a ação de atiradores de elite e recrutamento de infiltrados com armas brancas em eventos públicos até um plano altamente sofisticado: o uso de um míssil lançado do ombro contra a principal aeronave presidencial durante a cúpula da OTAN em Ancara, em julho.

Embora autoridades turcas e a própria comunidade de inteligência dos EUA — incluindo a CIA — tenham afirmado que não conseguiram confirmar a veracidade ou encontrar evidências concretas sobre essas ameaças específicas, a Casa Branca e o Serviço Secreto optaram por agir com rigor máximo. Em solo turco, Trump foi transferido de forma totalmente sigilosa para outra aeronave para garantir sua integridade.

Choque de narrativas na inteligência

O pano de fundo histórico remete à retaliação jurada por Teerã devido à morte do general iraniano Qassem Soleimani, ordenada por Trump em 2020. Contudo, o episódio escancara divergências profundas entre os serviços secretos. No início deste ano, agências americanas avaliaram que o Irã não desenvolvia ativamente uma arma nuclear, contrapondo o discurso de urgência defendido por Israel.

Ainda assim, pesando os alertas sobre os planos de atentado e o acirramento das tensões, Trump prosseguiu com os ataques ao Irã em fevereiro. Críticos apontam que a inteligência israelense exerceu forte influência sobre a política externa de Washington. Em resposta, um porta-voz da embaixada de Israel rejeitou a tese de manipulação política, argumentando que o país agiu estritamente compartilhando dados críticos de segurança nacional.

Enquanto a Casa Branca e a CIA mantêm silêncio oficial, o porta-voz do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, ressaltou que a agência opera com foco absoluto na proteção presidencial diante do avanço de ameaças globais. "O Serviço Secreto analisa continuamente uma ampla gama de informações para orientar nossas operações", declarou.