Hamas aceita acordo para encerrar guerra na Faixa de Gaza

Grupo palestino confirma entendimento para desarmamento e retirada gradual das tropas israelenses; Israel ainda não se pronunciou oficialmente

Por Ana Laura Gonzalez

Confirmação foi feita por Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas

O Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza, em um movimento que pode abrir caminho para a implementação definitiva do cessar-fogo entre o grupo palestino e Israel. O entendimento prevê o desarmamento da organização, a retirada gradual das tropas israelenses do território e o início de uma nova fase de administração civil em Gaza.

A confirmação foi feita por Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas, além de duas fontes ligadas à alta liderança do grupo que falaram sob condição de anonimato à imprensa internacional. Segundo eles, o acordo estabelece uma série de etapas para encerrar o conflito, embora sua execução dependa do cumprimento dos compromissos assumidos por Israel.

De acordo com Hamad, o Hamas decidiu aceitar concessões para reduzir os impactos da guerra sobre a população palestina. O negociador afirmou que o processo de entrega das armas será acompanhado pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão que deverá assumir gradualmente funções administrativas no território.

Apesar do anúncio, o representante do Hamas ressaltou que a implementação do acordo está condicionada ao cumprimento das medidas previstas por parte de Israel. Segundo ele, os mediadores internacionais foram acionados para garantir que todas as cláusulas sejam respeitadas durante a execução do entendimento.

Trump celebra acordo e destaca nova fase para Gaza

O acordo foi anunciado inicialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de quinta-feira (30). Em publicação nas redes sociais, o republicano classificou o entendimento como um "acordo histórico" e afirmou que a iniciativa representa um passo importante para alcançar estabilidade e segurança duradouras na região.

O Conselho da Paz, organismo criado para coordenar a reconstrução e a manutenção da paz na Faixa de Gaza, também confirmou que o Hamas aceitou um plano detalhado para colocar em prática as próximas etapas do cessar-fogo.

Segundo a entidade, a prioridade agora será a implementação das medidas previstas, incluindo a transferência gradual da administração local para o NCAG, que deverá assumir responsabilidades civis à medida que o processo avançar.

Trump também declarou que, após o desarmamento do Hamas, as tropas israelenses iniciarão a retirada da Faixa de Gaza. A segurança do território passaria a ser exercida por uma Força Internacional de Estabilização, composta por militares de diferentes países, em cooperação com uma nova força policial palestina.

Israel ainda não confirma adesão ao entendimento

Até o momento, o governo israelense não divulgou um posicionamento oficial sobre o anúncio feito pelo Hamas e pelos Estados Unidos.

Nos bastidores, entretanto, uma fonte política israelense afirmou à agência AFP que a proposta ainda não atende integralmente às exigências de Israel para a desmilitarização completa da Faixa de Gaza. Segundo essa avaliação, alguns pontos considerados essenciais permanecem sem solução.

As negociações vinham sendo conduzidas há várias semanas no Egito como parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo firmado anteriormente entre as partes. O principal impasse era justamente o desarmamento do Hamas, condição considerada indispensável por Israel para avançar rumo ao encerramento definitivo da guerra.

Administração de Gaza deve passar por transição

O entendimento também prevê mudanças na administração da Faixa de Gaza. No início de julho, o Hamas já havia anunciado a dissolução do comitê responsável pelos assuntos civis do território desde 2007 e manifestado a intenção de transferir essas atribuições ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza.

Caso todas as etapas sejam implementadas conforme o cronograma previsto, a expectativa é de que a nova estrutura administrativa conduza a transição política enquanto a reconstrução do território avança sob acompanhamento internacional.