Em conversa no G7, Lula diz "nunca ter sido esquerdista"
Para diretora do FMI e chanceler alemão, Lula disse ter sido considerado "anticomunista" na década de 80, após negar convite para congresso
Em conversa informal gravada no intervalo da reunião ampliada da cúpula do G7, em Evian-les-Bains, na França, o presidente Lula disse “nunca ter sido esquerdista” e já ter sido considerado “anticomunista” pela antiga União Soviética por ter negado convite para um evento no país na década de 80.
Participavam da conversa a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.
No diálogo, depois de Lula afirmar que governos conservadores passaram mais tempo no poder e que atualmente “o mundo segue o caminho do meio” e não de esquerda ou direita, a diretora do FMI lembrou que a expectativa de que o presidente fosse se comportar como “esquerdista” quando foi eleito para seu primeiro mandato, em 2003, não se confirmou.
“Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT da Espanha”, respondeu Lula.
O presidente relatou ainda que, na década de 80, depois de negar um convite para um congresso na União Soviética e percorrer a Europa em busca de apoio internacional, passou a ser considerado “anticomunista” pela esquerda.
“Em 1980, tinha um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui porque havia sido condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. E aí passei a ser tratado como anticomunista”, disse Lula.