Em encontro com Trump, Lula se oferece para intermediar diálogo entre EUA e Venezuela

Informação é do chanceler Mauro Vieira, que destacou o clima amistoso da reunião, incluindo o desejo dos presidentes de fazerem visitas recíprocas aos respectivos países

Por Jorge Vasconcellos

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos EUA, Donald Trump, reunidos em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26/10/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o encontro que teve neste domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia, se ofereceu para atuar como intermediário em contatos entre os governos norte-americano e da Venezuela.

"O presidente Lula disse que a América do Sul é uma região de paz e se prontificou a ser interlocutor, como foi no passado, com a Venezuela, para se buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países", disse o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira.

"[Lula também disse] que o Brasil estará sempre disposto a atuar como elemento da paz e do entendimento, o que sempre foi a tradição do Brasil e continuará sendo", acrescentou.

A crise entre os dois países foi deflagrada por acusações do governo dos Estados Unidos de que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chefia uma organização "narcoterrorista".

Desde setembro, pelo menos dez embarcações supostamente carregadas com drogas foram bombardeadas por militares norte-americanos que integram o grande aparato bélico instalado no Mar do Caribe. Dezenas de pessoas foram mortas, e até o momento Washington não apresentou provas das acusações.

Visitas recíprocas

Ainda conforme o chanceler Mauro Vieira, o clima do encontro entre os dois presidentes foi amistoso. Ele relatou que os líderes estabeleceram a necessidade de fazerem visitas recíprocas aos respectivos países.

"O presidente Trump quer ir ao Brasil, e o presidente Lula aceitou também, disse que irá com prazer aos Estados Unidos no futuro", disse o chanceler.

Vieira afirmou que o encontro entre os dois presidentes foi muito positivo, destacando que Lula voltou a pedir a suspensão da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e das sanções aplicadas a autoridades brasileiras.

"Trump declarou que dará instruções à sua equipe para começar um processo de negociação bilateral, que deve se iniciar hoje ainda, já que é para tudo ser resolvido em pouco tempo", afirmou o chanceler.

"Nós esperamos em pouco tempo agora, em algumas semanas, concluir uma negociação bilateral que trate de cada um dos setores da atual tributação americana ao Brasil", acrescentou Vieira, reiterando que os representantes brasileiros devem pedir que as tarifas sejam suspensas durante o período de negociação.

Ainda de acordo com Vieira, Trump não impôs nenhuma condição para negociação ou suspensão das taxas.

O encontro contou com a participação do Secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.

Critério injusto

Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Lula deixou claro que a motivação usada pelos EUA para impor a elevação de tarifas para o restante do mundo não se aplica ao Brasil, uma vez que o país acumula déficit na balança comercial com os norte-americanos.

"[Lula] mostrou também que a nossa pauta comercial e a relação diplomática de mais de 200 anos sempre foi muito boa", disse o secretário.

Falas sobre Bolsonaro

Elias Rosa também afirmou que os presidentes não abordaram diretamente a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

"Isso não foi discutido. A questão do Bolsonaro apareceu antes, na entrevista [de Trump], mas muito lateralmente", disse Rosa.

"O que o presidente Lula usou como exemplo é a injustiça da aplicação da Lei Magnitsky contra algumas autoridades do STF [Supremo Tribunal Federal] e o quão injusta é a aplicação dessa lei sobre esses ministros porque repeitou-se o devido processo legal e não há nenhuma perseguição política ou jurídica", afirmou o secretário.

Durante entrevista a jornalistas mais cedo, feita antes da reunião, Trump disse que se sente mal pelo que Bolsonaro passou no Brasil.

"Eu sempre gostei dele. Eu me sinto muito mal sobre o que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era um cara honesto, mas ele passou por muita coisa", afirmou o republicano.