Novo presidente da Polônia

Em conflito com primeiro-ministro, Karol Nawrocki tomou posse

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Por José Henrique Mariante (Folhapress)

Karol Nawrocki, 42, é historiador, mas adicionou "boxeador" ao currículo depois que a campanha eleitoral revelou seu passado de torcedor violento. Na quarta (6), em Varsóvia, acrescentou ao perfil profissional um papel mais complexo, o de presidente da Polônia, em conflito aberto com o primeiro-ministro do país, Donald Tusk.

"A Constituição polonesa tem sido violada com tanta frequência que nós, como classe política, devemos começar a trabalhar em soluções", disse Nawrocki no discurso de posse, sem mencionar que o atual governo não tem maioria constitucional no Parlamento.

Entre os diversos casos de polarização política na Europa, o polonês é um dos mais peculiares. Tusk, um político de centro e pró-União Europeia, busca desfazer oito anos de estragos institucionais do PiS, o partido de Andrzej Duda, o presidente que passa a faixa para Nawrocki após dez anos no poder.

Ainda que parlamentarista, o sistema político polonês permite ao presidente propor e vetar legislações, dando peso excepcional ao cargo. Nesse cenário, Tusk enfrenta como premiê não apenas a oposição hostil no Parlamento, mas também o mandatário eleito. Foi assim com Duda, será assim com Nawrocki, candidato independente apoiado pelo PiS, estendendo uma disputa que já dura dois anos, desde que Tusk voltou ao cargo após um período de oito anos em que os poloneses flertaram com a autocracia.

"Não permitirei que o sr. Nawrocki, uma vez empossado como presidente, sabote politicamente o governo", declarou Tusk na semana passada, em referência ao déficit crescente do país, 6,6% do PIB em 2024, o maior da Europa. "Serei o porta-voz daqueles que querem uma Polônia soberana", respondeu nesta quarta o novo presidente, alimentando outra polêmica que não existe, sobre a adoção do euro.

Nenhum partido defende a entrada do país na zona do euro, mas Nawrocki e o PiS trabalham a questão como bandeira eleitoral, reforçando o caráter nacionalista da proposta em oposição a um alegado internacionalismo de Tusk.

A crise é apenas política, no entanto. A quinta economia da Europa recebe bons prognósticos do mercado, e o primeiro-ministro devolveu o país ao patamar mais elevado do debate público europeu. O cenário doméstico, por outro lado, é complexo. Com aprovação que beirava os 32% durante a campanha, em junho, Tusk agora vê 50% da população pedindo sua renúncia.