SUS avança em diagnóstico de doenças

Por Moara Semeghini - Campinas

A decisão do Ministério da Saúde de incorporar ao Sistema Único de Saúde o Sequenciamento Completo do Exoma (WES) representa um avanço histórico na política pública voltada às doenças raras no Brasil. Ao reduzir de até sete anos para seis meses o tempo médio de espera por um diagnóstico, o governo federal enfrenta um dos maiores gargalos vividos por milhões de famílias: a incerteza prolongada diante de sintomas sem explicação e a angústia de peregrinar por consultórios e exames inconclusivos.

Trata-se de uma medida que alia tecnologia de ponta, planejamento estratégico e compromisso com a equidade. O WES é capaz de identificar mutações genéticas responsáveis por cerca de 90% das doenças raras de origem genética, muitas delas já rastreadas no teste do pezinho. Na rede privada, o exame pode custar até R$ 5 mil, valor inacessível para grande parte da população brasileira. Ao torná-lo gratuito no SUS, o Ministério rompe uma barreira histórica de acesso e reafirma o princípio constitucional da universalidade da saúde.

O investimento anunciado, de R$ 26 milhões por ano, também demonstra que não se trata de ação pontual, mas de política estruturante. Com capacidade prevista para 20 mil diagnósticos anuais, os laboratórios públicos responsáveis pela análise das amostras poderão atender integralmente a demanda nacional. É um passo consistente para garantir que a alta complexidade não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.

Igualmente acertada foi a escolha do Hospital de Clínicas da Unicamp como ponto de coleta em São Paulo. Referência em ensino, pesquisa e assistência, o HC reúne expertise técnica, infraestrutura e tradição acadêmica compatíveis com a responsabilidade que o programa exige. Ao integrar a iniciativa, a instituição reforça seu papel estratégico no fortalecimento do SUS e projeta Campinas como polo de excelência em medicina de precisão.

Num país onde cerca de 13 milhões de pessoas convivem com alguma das mais de 7 mil doenças raras catalogadas, reduzir o tempo de diagnóstico significa antecipar tratamentos, evitar complicações e, sobretudo, devolver qualidade de vida às famílias. A iniciativa demonstra que é possível combinar ciência, gestão pública eficiente e sensibilidade social. Ao ampliar o acesso à genética de alta tecnologia, o Ministério da Saúde reafirma a vocação do SUS como um dos maiores e mais inclusivos sistemas públicos de saúde. E, ao contar com o HC nessa missão, sinaliza que o caminho para a inovação passa pela parceria.