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Campos reforça que prevenção é fundamental contra hepatites virais

Secretaria de Saúde reforça vacinação em gestantes e bebês, grupos de risco da doença

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Milena de Alvarenga, de 34 anos, tomando sua dose da vacina

As hepatites virais são inflamações do fígado provocadas principalmente pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C estão entre os mais frequentes. Enquanto as hepatites B e C podem evoluir para formas crônicas da doença, aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado, o diagnóstico precoce é fundamental para garantir o tratamento adequado e reduzir a transmissão, especialmente durante a gestação.

A importância da prevenção e da imunização é ainda maior para as gestantes, já que algumas hepatites podem ser transmitidas da mãe para o bebê. Foi pensando nisso que a dona de casa Milena de Alvarenga, de 34 anos, grávida de seis meses, procurou o Centro de Imunização para receber a primeira dose da vacina contra a hepatite B.

"Agora, eu preciso fazer por mim e pelo meu bebê. Vacina é proteção e eu, estando imunizada, meu filho também estará", afirmou Milena.

Segundo o infectologista Rodrigo Carneiro, subsecretário de Vigilância em Saúde de Campos, o rastreamento das hepatites e de outras infecções ainda no primeiro trimestre da gestação é fundamental para reduzir o risco de transmissão vertical, quando a doença passa da mãe para o bebê.

"Durante o período gestacional, a mãe pode transmitir diversas patologias ao feto, sendo a hepatite B uma das principais, devido ao risco de transmissão no período periparto. Por esse motivo, é fundamental que o rastreio de Infecções Sexualmente Transmissíveis, como hepatite B, HIV, sífilis e hepatite C, seja realizado já na primeira consulta de pré-natal. O diagnóstico precoce permite ao obstetra instituir o tratamento adequado para a gestante, reduzindo consideravelmente o risco de infecção vertical", explicou.

No caso da hepatite B, existem ainda medidas específicas para proteger o recém-nascido. Entre elas estão a vacinação ao nascer e, quando indicada, a administração de imunoglobulina específica contra o vírus, preferencialmente nas primeiras 96 horas de vida.

"Esses insumos devem estar disponíveis nas maternidades, garantindo que, caso a gestante não tenha sido testada durante o pré-natal ou apresente diagnóstico positivo para a hepatite B, a criança receba a profilaxia necessária imediatamente após o parto", destacou o médico.

Formas de transmissão e prevenção

A hepatite A é uma doença geralmente aguda e apresenta maior incidência entre crianças. A principal forma de prevenção é a vacinação, disponível na rede pública para crianças desde 2014, associada a medidas de saneamento básico e cuidados de higiene.

Já as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado e por meio de relações sexuais. No caso da hepatite B, a vacinação, associada ao uso de preservativos, é uma das principais estratégias de prevenção. A primeira dose deve ser administrada preferencialmente ao nascer, com a continuidade do esquema vacinal ao longo do primeiro ano de vida. Adultos que não foram imunizados anteriormente também podem receber a vacina.

Para a hepatite C, ainda não existe vacina. Por isso, a prevenção depende principalmente da adoção de medidas para evitar o contato com sangue contaminado. Entre os cuidados estão não compartilhar seringas, agulhas e objetos de uso pessoal, como aparelhos de barbear e escovas de dente. O uso de preservativo nas relações sexuais também é recomendado.

Pacientes diagnosticados com hepatites virais podem contar com acompanhamento especializado no Centro de Doenças Infecto-Parasitárias (CDIP), onde também é realizada, quando indicada, a dispensação de medicamentos antivirais.

"O diagnóstico das hepatites B e C pode ser realizado por meio de testes rápidos, disponíveis em hospitais e Unidades Básicas de Saúde do município. Uma vez detectada a infecção, o paciente é encaminhado ao CDIP para iniciar o acompanhamento médico especializado. A hepatite C, embora não possua vacina, conta atualmente com um tratamento altamente eficaz fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de alcançar taxas de cura próximas a 100%", finalizou o infectologista.

Em Campos, as vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis em mais de 40 salas de vacinação, incluindo o Centro Municipal de Imunização e Testes de Triagem Neonatal. As vacinas fazem parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.