Projeto estimula escuta, imaginação e conversa com alunos nas escolas de Niterói

Em meio ao excesso de telas, "Café Com Leite" áudio e olhos vendados para reflexão compartilhada

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Café Com Leite na Escola utiliza histórias em áudio para promover atividades em turmas do Ensino Fundamental

Em uma sala de aula, crianças colocam máscaras sobre os olhos, deixam de lado estímulos visuais e se concentram em ouvir. No lugar de telas, uma história em áudio atrai a atenção dos alunos. Ao fim da narrativa, começa outra etapa: conversar sobre o que ouviram, levantar hipóteses, fazer perguntas, compartilhar interpretações e escutar o colega. Essa é a dinâmica do Café Com Leite na Escola, projeto educacional criado por Luciano Pires e Bárbara Stock que aposta na escuta, na imaginação e no diálogo como ferramentas de aprendizagem em um cenário marcado pelo uso crescente de telas.

A iniciativa nasceu a partir do podcast Café Com Leite, voltado a famílias com crianças de 4 a 12 anos, e utiliza histórias em áudio como ponto de partida para conversas mediadas e atividades pedagógicas em turmas do Ensino Fundamental I. A proposta é criar momentos em que a criança não apenas recebe informação, mas tenha espaço para interpretá-la, questioná-la e construir suas próprias ideias.

O projeto acompanha um desafio que vem ganhando espaço nas escolas: estimular habilidades que vão além do desempenho acadêmico em uma infância marcada pelo excesso de informação e pelas mudanças na forma de consumir conteúdo. Levantamento da edtech Educa apontou crescimento de 316% na demanda de escolas por soluções de educação socioemocional no primeiro semestre de 2023, em comparação com o período anterior analisado.

Nesse contexto, o Café Com Leite na Escola usa o áudio como ponto de partida para uma experiência que combina escuta, imaginação e diálogo. O programa foi desenvolvido em sintonia com a proposta pedagógica das escolas e com competências previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A metodologia está estruturada em quatro pilares: base emocional, caráter, raciocínio lógico e comunicação.

"O projeto nasceu da constatação de que nunca tivemos tanto acesso à informação, mas, ao mesmo tempo, parece cada vez mais difícil transformá-la em conhecimento e reflexão. O desafio é contribuir para que as crianças desenvolvam a capacidade de escutar, interpretar e pensar antes de responder", destaca Bárbara.

História é só o começo

Os episódios são construídos a partir de interações entre a narradora Bárbara e a personagem Babica, um avatar digital que aborda temas do cotidiano infantil. Depois da história, os professores conduzem uma conversa e estimulam os alunos a compartilhar interpretações e diferentes pontos de vista.

A metodologia conta ainda com um guia pedagógico para os professores, com sugestões de atividades e perguntas para debates.

Primeiras experiências
nas escolas

Lançado na Bett Educar, em maio, o projeto começa a avançar para a aplicação em escolas. O Colégio Marly Cury, em Niterói, já adotou a iniciativa para os cinco primeiros anos do Ensino Fundamental.

Além da sala de aula, o projeto busca aproximar escola e família, incentivando que os temas trabalhados continuem presentes nas conversas em casa, especialmente sobre comportamento, relações, escolhas e desafios do cotidiano.

"Precisamos nos perguntar se estamos criando oportunidades suficientes para que as crianças aprendam a interpretar o que recebem, conversar sobre o que ouvem e construir o próprio pensamento", afirma Luciano Pires. Segundo ele, o objetivo é contribuir para uma formação que considere tanto os desafios acadêmicos quanto as competências necessárias para a convivência, a tomada de decisões e a participação das crianças na sociedade.