19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reúne 26 grupos culturais

Mais de 40 caravanas, além de autoridades e lideranças religiosas, representaram axé,Folias de Reis, afoxés e blocos afros

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A diversidade de tradições também se refletiu no público, que acompanhou manifestações de diferentes expressões religiosas e culturais

Copacabana foi tomada por cores, sons, música e manifestações de fé no domingo (20), durante a 19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Da concentração, no Posto 5, ao encerramento, na região do Posto 2 e da Praça do Lido, a Avenida Atlântica se transformou em um grande cortejo cultural, reunindo diferentes tradições religiosas e expressões da cultura popular.

A programação começou com um café da manhã no Hotel Pestana, em Copacabana, que recebeu autoridades, religiosos, representantes de movimentos sociais, apoiadores e convidados ligados à organização. O encontro abriu a agenda da edição e serviu como espaço de diálogo antes da concentração na orla.

Por volta das 10h, os participantes seguiram para o Posto 5. Mais de 40 caravanas chegaram a Copacabana vindas de diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro e de outras partes do país. Entre os grupos estavam representantes de Barra Mansa, Região dos Lagos, Magé e São Gonçalo, além de participantes de outros municípios e estados.

Entre os presentes estava Andréa Gomes, evangélica, que veio de Nova Iguaçu acompanhada da filha e da neta. Participando pela primeira vez da Caminhada, ela destacou a diversidade encontrada durante o evento. "Vim pela primeira vez, fiquei encantada com a proposta, muito bacana esse encontro", afirmou.

Ao meio-dia, o cortejo tomou a Avenida Atlântica em direção à Praça do Lido. Cerca de 26 grupos culturais participaram da programação, entre representações de axé, Folias de Reis, afoxés e blocos afros. A diversidade cultural também esteve presente no público, que acompanhou manifestações de diferentes tradições religiosas.

Uma das participações que chamou atenção foi a da Monja Oca, de 88 anos, que veio do Japão especialmente para participar da Caminhada. Ela liderou uma comitiva de 40 integrantes do Budismo Primordial, representando a Catedral Budista de São Paulo e o Templo Budista de Itaguaí. A presença do grupo ampliou o caráter inter-religioso da mobilização.

Católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas, espíritas, judeus, muçulmanos, representantes de tradições indígenas e outros segmentos participaram do evento, ao lado de pessoas sem religião. O encontro reuniu diferentes crenças em torno da defesa do direito de cada pessoa professar sua fé — ou não professar nenhuma — com liberdade e respeito.

Criada em 2008 pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a Caminhada surgiu em meio à mobilização contra episódios de perseguição e violência contra praticantes de religiões de matriz africana. Ao longo de quase duas décadas, a iniciativa se consolidou como uma das principais manifestações inter-religiosas do país.

Segundo dados divulgados pelos organizadores, cerca de 1,8 milhão de pessoas participaram das 18 edições anteriores. A presença de caravanas de diferentes regiões também ampliou o alcance da iniciativa para além do Rio de Janeiro. Nesta edição, a organização estimou a participação de aproximadamente 60 mil pessoas.

A programação cultural ganhou força ao longo do percurso e chegou ao encerramento com apresentações de Sandro Luiz, Marquinhos de Oswaldo Cruz e da Bateria da Mangueira. Sandro Luiz veio de São Paulo especialmente para participar da programação e destacou o significado da presença dos povos de terreiro em um espaço público como a orla de Copacabana.

"Para nós, povos de terreiro, ocupar esse espaço com nossa música, nossa cultura, nossa ancestralidade e nossa espiritualidade também é um ato de resistência, de dignidade e de liberdade. Que essa caminhada continue abrindo caminhos para um Brasil onde todas as religiões possam existir, celebrar e expressar sua fé sem medo", afirmou o cantor.

Dandara Suburbana e Zilá Lima foram as mestres de cerimônia e conduziram os diferentes momentos do encontro. O evento também reuniu lideranças religiosas, entre elas Frei Tatá, Padre Gegê, Mãe Márcia Marçal e Mãe Conceição de Lissá, além de representantes de diversas tradições e comunidades religiosas.

Ao chegar ao fim, na região do Posto 2 e da Praça do Lido, a 19ª Caminhada encerrou um dia marcado pelo encontro entre diferentes religiões, culturas e territórios. Ao longo da Avenida Atlântica, música, fé, ancestralidade e cultura popular deram o tom da mobilização.

Em quase 20 anos de história, a Caminhada passou a integrar o calendário do Rio de Janeiro e se consolidou como espaço de encontro entre diferentes crenças e culturas. A 19ª edição manteve essa trajetória ao reunir participantes de diversas regiões em uma mesma orla, tendo como eixo a convivência, o respeito e a liberdade religiosa.