PF mira deputado Ricardo Abrão em investigação sobre compra de votos

Mandado foi autorizado por Flávio Dino, do STF; investigação apura suposto esquema de corrupção eleitoral em Nilópolis nas eleições de 2024

Por Redação

Ricardo Abrão, deputado federal que assumiu o mandato de Chiquinho Brazão

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (3) uma operação para investigar um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Um dos alvos da investigação é o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ).

Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar, localizada em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação é um desdobramento de uma apuração iniciada ainda durante o período eleitoral de 2024 e que já resultou em prisões e na apreensão de dinheiro e materiais que, segundo a PF, estariam relacionados à suposta compra de votos.

Investigação começou nas eleições de 2024

Na véspera do primeiro turno das eleições municipais de 2024, a Polícia Federal prendeu em flagrante 24 pessoas em Nilópolis. Entre os detidos estavam três policiais militares.

Segundo a investigação, o grupo seria formado por pessoas que atuavam como cabos eleitorais do então candidato Abraão Davi Neto, conhecido como Abraãozinho (PL), atual prefeito de Nilópolis e primo de Ricardo Abrão.

Na ocasião, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 63 mil em dinheiro vivo, além de uma relação com nomes de eleitores. A PF suspeitava que os valores seriam utilizados para compra de votos.

Os policiais também encontraram um veículo com propaganda eleitoral do candidato e uma pistola acompanhada de dois carregadores.

De acordo com a investigação, a abordagem ocorreu depois que agentes passaram a monitorar um imóvel apontado como local utilizado para a suposta prática de compra de votos.

Primo de Ricardo Abrão também foi investigado

A operação desta quinta-feira está relacionada a uma investigação que já havia atingido Abraãozinho.

Em fevereiro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Astreia, que teve o prefeito de Nilópolis entre os alvos. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e aproximadamente R$ 172 mil em espécie foram encontrados na residência do político.

Celulares, documentos e outros dispositivos também foram apreendidos.

A investigação contra Abraãozinho apurava suspeitas de compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, o aprofundamento das diligências teria identificado uma estrutura mais ampla de corrupção eleitoral, com suspeita de utilização de candidaturas fictícias e participação de pessoas ligadas à administração pública e à política local.

Abraãozinho negou as acusações na época e afirmou que estava à disposição da Justiça.

Ricardo Abrão afirma que não foi candidato em 2024

Após ser alvo da busca realizada nesta quinta-feira, Ricardo Abrão afirmou ter recebido a operação com estranheza.

O deputado ressaltou que não disputou as eleições de 2024 e declarou estar tranquilo diante da investigação. Também afirmou que pretende colaborar com as autoridades e prestar os esclarecimentos solicitados.

A investigação, porém, busca esclarecer se o parlamentar teve algum tipo de participação, ligação ou benefício relacionado ao suposto esquema eleitoral investigado pela Polícia Federal.

Quem é Ricardo Abrão

Aos 53 anos, Ricardo Martins David, conhecido como Ricardo Abrão, é advogado, empresário e ex-presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.

Ele é filho de Farid Abrão David, que foi prefeito de Nilópolis por três mandatos e também presidiu a escola de samba. Ricardo é ainda sobrinho de Aniz Abraão David, conhecido como Anísio, uma das principais figuras ligadas à Beija-Flor.

Anísio já foi alvo de operações da Polícia Federal relacionadas a investigações sobre o jogo do bicho.

Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Ricardo Abrão exerceu dois mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Também ocupou o cargo de secretário de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio.

O parlamentar assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados em abril de 2025, após a cassação do mandato de Chiquinho Brazão.

Operação amplia investigação sobre eleições em Nilópolis

A busca realizada na residência de Ricardo Abrão representa uma nova etapa da apuração sobre a disputa eleitoral de 2024 em Nilópolis.

O caso envolve suspeitas de utilização de dinheiro e de uma estrutura organizada para influenciar o resultado da eleição municipal. A Polícia Federal ainda precisa concluir as diligências e analisar o material recolhido nesta quinta-feira.

Por enquanto, o fato de Ricardo Abrão ser alvo de busca e apreensão não significa condenação nem comprovação de participação nos crimes investigados. O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores para determinar eventual responsabilidade e esclarecer a extensão das conexões entre os envolvidos.

A apuração segue sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal, responsável pela autorização das medidas contra o deputado federal.