Jovens de Maricá participam de formação em audiovisual e economia criativa

Evento "A Lente é Nossa" terá duas turmas gratuitas em agosto com 120 vagas

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Cursos com formação em roteiro, direção, fotografia e produção de conteúdo

Entre os dias 24 e 29 de agosto, jovens de Maricá participam da formação gratuita "A Lente é Nossa: Semana da Economia Criativa", iniciativa voltada à capacitação em audiovisual e ao estímulo da economia criativa como ferramenta de inclusão social e geração de renda. O curso oferece atividades práticas em roteiro, direção, fotografia, produção de conteúdo e construção de narrativas, apresentando aos participantes diferentes possibilidades de atuação no mercado audiovisual.

Idealizado pela AVS Eventos e patrocinado pela CAIXA, o projeto foi dividido em duas turmas. A primeira foi realizada até o dia 22 de agosto, na Quadra do GRES Estácio, no Rio de Janeiro. A segunda acontece entre 24 e 29 de agosto, no Instituto Claudinho Guimarães, no Centro de Maricá. As aulas são ministradas das 19h às 21h30, com até 60 alunos por turma, totalizando 120 vagas gratuitas.

A iniciativa tem como foco ampliar o acesso de jovens, especialmente moradores de territórios periféricos, à formação técnica e às oportunidades da economia criativa. Além do aprendizado em audiovisual, o projeto busca incentivar o protagonismo de grupos historicamente minorizados, fortalecendo a diversidade na produção de conteúdo e ampliando as possibilidades de inserção profissional.

Segundo André Vaz, CEO da AVS Eventos, o projeto pretende aproximar os jovens de um setor que ainda é visto como distante por grande parte da população das periferias.

"A economia criativa abre caminhos profissionais que muitas vezes ainda parecem distantes para os jovens das periferias. Com 'A Lente é Nossa', queremos aproximar essas possibilidades dos territórios e mostrar que o audiovisual pode ser, ao mesmo tempo, ferramenta de expressão, formação profissional e geração de renda. É sobre dar acesso às ferramentas para que esses jovens possam transformar suas próprias ideias e histórias em oportunidades", afirma.

Formação com profissionais do audiovisual

Um dos responsáveis pela formação é o roteirista e diretor Rodrigo Felha, formado pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e reconhecido por sua trajetória ligada ao audiovisual produzido nas periferias. Felha iniciou a carreira no documentário Falcão - Meninos do Tráfico e coordenou, por sete anos, o Núcleo Audiovisual da CUFA (Central Única das Favelas), onde desenvolveu projetos de formação e produção audiovisual.

Ao longo da carreira, integrou a equipe de roteiro do programa Esquenta!, da TV Globo, dirigiu produções como Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos, 5x Pacificação e Favela Gay, além da série documental Periferias LGBTQIA . Mais recentemente, assinou o roteiro da série Cidade de Deus: A Luta Não Para, da HBO/Max, e dirigiu o programa Bom Dia Favela, da Band Rio.

Para Felha, a proposta vai além da capacitação técnica e busca incentivar os participantes a reconhecerem o valor de suas próprias experiências como matéria-prima para a produção audiovisual.

"Existe uma potência enorme quando jovens de periferia percebem que também podem estar atrás das câmeras, escrevendo, dirigindo e decidindo como suas histórias serão contadas. A formação técnica é importante, mas também queremos estimular um olhar autoral, mostrar que as vivências e os territórios desses jovens são repertório e podem se transformar em narrativa, trabalho e produção cultural", destaca.

Inclusão e diversidade

O curso é destinado a jovens a partir de 16 anos, prioritariamente das classes C, D e E e moradores de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, regiões próximas e do município de Maricá.

Como parte da política de inclusão, 50% das vagas são reservadas para mulheres, além da prioridade para pessoas negras, LGBTQIAPN e outros grupos historicamente minorizados. O projeto também destina 12 vagas exclusivas para empregados e estagiários da CAIXA.

Ao unir formação técnica, incentivo à economia criativa e promoção da diversidade, o projeto busca contribuir para o surgimento de novos profissionais do audiovisual, ampliando o acesso ao mercado e fortalecendo a produção de narrativas construídas a partir das vivências e dos territórios dos próprios participantes.