Polícia prende 5 suspeitos de movimentar R$ 33 milhões em venda ilegal de remédios oncológicos

Investigação aponta o apoio da facção do TCP (Terceiro Comando Puro) e empresas de fachada

Por Redação

Criminosos atearam fogo em barricadas na Vila do João para impedir a chegada da polícia

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase, que investiga uma organização criminosa especializada no roubo e na comercialização ilegal de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas durante a ação, realizada em quatro estados.

Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), o grupo teria movimentado cerca de R$ 33 milhões em um ano, contando com o apoio da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) e utilizando empresas de fachada para reintroduzir os produtos roubados no mercado.

Esquema movimentou R$ 33 milhões, diz Polícia Civil

De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava de forma estruturada e participou de pelo menos 40 roubos de cargas nos últimos seis meses.

As cargas, compostas principalmente por medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de câncer e de pacientes transplantados, eram levadas para áreas dominadas pelo TCP no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio.

Segundo o delegado André Prates, os criminosos utilizavam armamento pesado para praticar os roubos e, posteriormente, armazenavam, fracionavam e redistribuíam os medicamentos para diversos estados brasileiros.

Ainda conforme a polícia, parte dos produtos era destinada tanto à rede privada quanto, em alguns casos, ao sistema público de saúde.

Cinco suspeitos são presos

Entre os presos estão:

Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do núcleo responsável pela receptação dos medicamentos;
Stefano Montovani Fernandes, apontado como líder do esquema e suspeito de encomendar roubos de cargas;
Umberto Xavier de Lima, investigado por atuar na receptação dos produtos.

Segundo a defesa, os investigados negam participação nas irregularidades.

Mandados são cumpridos em quatro estados

A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 97 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa.

As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará.

Na capital fluminense, equipes atuaram no Complexo da Maré, onde houve intenso confronto armado e barricadas incendiadas. Também foram realizadas ações em municípios da Baixada Fluminense.

Em Santo André (SP), policiais localizaram medicamentos contra o câncer dentro de um veículo de luxo, um Jaguar, que foi apreendido.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e autorizou o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens supostamente adquiridos com recursos provenientes das atividades investigadas.

Empresas de fachada abasteciam mercado ilegal

As investigações apontam que a organização utilizava 25 empresas de fachada distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará para ocultar a origem dos medicamentos roubados.

Segundo a Polícia Civil, essas empresas eram usadas para emitir documentação e inserir os produtos novamente na cadeia de distribuição, inclusive participando de processos licitatórios destinados ao fornecimento de medicamentos para hospitais e instituições públicas.

A apuração também identificou integrantes responsáveis por recrutar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas de alto valor.

Polícia alerta para risco à saúde pública

Além dos prejuízos financeiros, a Polícia Civil destaca que o esquema representa um risco direto à saúde da população.

Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rígido controle de temperatura durante transporte e armazenamento. Segundo a corporação, quando essas condições não são respeitadas, os produtos podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou colocar pacientes em risco.

As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização criminosa e esclarecer a participação de empresas e pessoas envolvidas na cadeia de distribuição dos medicamentos roubados.