PF faz nova fase da Operação Anáfora e mira empresa ligada a Washington Reis
Investigação apura suposta lavagem de dinheiro proveniente de desvios de recursos da saúde; mandados são cumpridos no Rio, Niterói e Duque de Caxias
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (30), a segunda fase da Operação Anafóra, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente relacionado ao desvio de recursos públicos destinados à saúde. A ação ocorre quatro anos após a primeira etapa da operação e tem como um dos alvos a WR Participações, empresa ligada ao ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB).
Segundo a Polícia Federal, a empresa possui cerca de 300 imóveis registrados em seu patrimônio e apresenta características compatíveis com práticas de ocultação de bens e lavagem de capitais.
Ao todo, os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão. Dez deles foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal, enquanto outros quatro partiram do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em razão da existência de investigados com foro por prerrogativa de função.
As diligências são realizadas em endereços localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias.
Investigação foi ampliada após primeira fase
De acordo com a Polícia Federal, a apuração sobre os supostos atos de lavagem de dinheiro foi aprofundada após a primeira fase da Operação Anafóra, deflagrada em setembro de 2022.
As investigações apontam que os suspeitos teriam mantido patrimônio em nome de terceiros, realizado despesas incompatíveis com a renda declarada e participado de negociações envolvendo imóveis com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações e o grau de participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante a investigação.
Primeira fase teve Washington Reis entre os alvos
Na primeira etapa da Operação Anafóra, realizada em setembro de 2022, a Polícia Federal cumpriu 27 mandados de busca e apreensão. Entre os investigados estavam Washington Reis e o empresário Mário Peixoto.
Na ocasião, Reis era candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa de Cláudio Castro (PL), mas acabou substituído por Thiago Pampolha durante o processo eleitoral.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apuram supostas irregularidades na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias. Conforme os investigadores, o contrato e seus aditivos superaram R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
A PF sustenta que a cooperativa investigada integra uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos, com atuação histórica no estado do Rio de Janeiro, especialmente na área da saúde. As apurações buscam esclarecer o destino dos valores e identificar os responsáveis pelo suposto esquema de corrupção e ocultação de patrimônio.