Greve de ônibus no Rio paralisa a cidade após impasse salarial

Motoristas de ônibus do Rio iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira (29), após rejeitarem a proposta de reajuste salarial das empresas. A paralisação afeta milhões de passageiros na capital fluminense, enquanto o TRT-1 determinou a manutenção de ao menos 50% da frota em circulação

Por Déborah Gama

Greve acontece por impasse em negociações salariais

Os motoristas de ônibus do Rio de Janeiro iniciaram uma greve por tempo indeterminado na madrugada desta segunda-feira (29), após rejeitarem a proposta de reajuste salarial apresentada pelas empresas do setor. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada no domingo (28) e impacta diretamente o deslocamento de milhões de passageiros na capital fluminense.

Segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), o sistema de transporte municipal atende cerca de 32 milhões de usuários por mês, o que torna a interrupção do serviço um dos maiores desafios recentes para a mobilidade urbana da cidade.

 

50% da frota continua em circulação

Antes do início oficial do movimento grevista, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) concedeu uma liminar determinando que pelo menos 50% da frota permaneça em circulação em todas as linhas e itinerários.

Em caso de descumprimento da decisão judicial, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros (Sintrucad-Rio) e o Rio Ônibus estarão sujeitos a uma multa diária de R$ 50 mil cada um.

 

BRT segue operando normalmente

Enquanto os ônibus convencionais enfrentam restrições e atrasos, as linhas do sistema BRT continuam funcionando normalmente, seguindo a programação prevista para os dias úteis. A paralisação começou em um dia estratégico, já que o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio decretaram ponto facultativo por causa da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo, marcada para as 14h.

Em nota oficial, a Prefeitura informou que monitora a situação e adota medidas para reduzir os impactos da greve, buscando minimizar transtornos aos usuários. A orientação é que os passageiros acompanhem as atualizações do transporte ao longo do dia.

 

Reivindicações e impasse salarial 

Os rodoviários reivindicam salário de R$ 5 mil para motoristas de articulados, R$ 4 mil para os demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, jornada no regime 5x2 e o fim de contratações temporárias. As empresas ofereceram um reajuste de 4,39%, elevando o piso dos motoristas para R$ 3.570 e o auxílio para R$ 689, valores que foram rejeitados pela categoria.

Com o impasse mantido, a greve segue sem prazo para terminar e a expectativa é de novas negociações entre trabalhadores, empresas e autoridades para tentar reduzir os impactos no transporte público do Rio de Janeiro.