Monitora RJ fortalece vigilância da malária

Painel traz transparência e dados ágeis sobre a doença

Por Déborah Gama

A malária é transmitida pela fêmea do mosquito Anopheles

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) comemora avanços na vigilância da malária após um ano da implantação de um campo exclusivo no Painel Monitora RJ. A ferramenta digital, lançada originalmente em maio de 2025, transformou-se em um pilar estratégico para monitorar a doença e descentralizar o acesso a testes e tratamentos em todo o território fluminense.

O sistema reúne indicadores epidemiológicos que dão maior suporte às tomadas de decisão da saúde pública no estado. Por meio do painel, a população e os gestores visualizam dados como faixa etária, gênero, espécie do parasita, município de residência e o local provável da infecção.

O canal digital também serve como base técnica para os municípios, fornecendo manuais e documentos de orientação aos profissionais da ponta.

Segundo a gerente de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores da SES-RJ, Paula Almeida, o painel tem desempenhado um papel importante na organização das ações de vigilância e assistência. "A ferramenta permite acompanhar o cenário da malária em todo o estado e fortalece a capacidade de resposta dos serviços de saúde. Além disso, auxilia no planejamento das ações de vigilância e na distribuição estratégica de insumos para diagnóstico e tratamento", destaca.

Rio confirmou oito casos de malária

Em 2026, o Rio de Janeiro confirmou oito casos de malária. Após investigações de campo, a vigilância epidemiológica constatou que todos os registros são importados de fora do estado ou possuem local de contágio indeterminado, sem ocorrências autóctones registradas até o momento.

A transmissão nativa em solo fluminense é considerada esporádica e costuma ficar restrita a pontos específicos da Mata Atlântica, nas regiões Serrana, Centro-Sul e na Baía da Ilha Grande. Mesmo com o cenário controlado, o monitoramento preventivo segue ativo devido ao risco de novas infecções.

A principal evolução gerada pelo Monitora RJ no último ano foi a criação de polos regionais de distribuição para os testes rápidos e remédios, aproximando o tratamento das cidades do interior. A rapidez na entrega desses insumos é vital para combater o Plasmodium falciparum, o parasita causador das variantes mais graves e letais da malária, que exige intervenção médica imediata. Paralelamente à infraestrutura digital e aos polos, a SES-RJ realiza capacitações periódicas com equipes municipais sobre o manejo de pacientes e exames.