Estado faz capacitação para proteção a meninas
Evento da Secretaria da Mulher reuniu 21 municípios fluminenses
O programa Nós Seguras, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, promoveu um encontro com representantes de 21 municípios fluminenses, no qual debateu temas como acolhimento humanizado, identificação precoce de violências e encaminhamento correto de casos na rede de proteção.
A iniciativa integra uma articulação entre as Secretarias estaduais da Mulher, Educação e Saúde, em parceria com a Associação Serenas, com foco na prevenção das violências que atravessam a vida escolar de meninas e adolescentes e comprometem seu direito de permanecer, aprender e projetar o próprio futuro.
Essa formação vai de encontro a um diagnóstico recente apresentado pela pesquisa nacional "Livres para Sonhar", da Associação Serenas e do Plano CDE, que mostra que 86% dos professores acreditam que a violência baseada em gênero compromete o futuro das meninas e 77% afirmam precisar de capacitação para lidar com o problema nas escolas.
Divididos em quatro turmas de aproximadamente 45 pessoas, esses profissionais participaram de uma capacitação que de temas como boas práticas no território, acolhimento humanizado, rota crítica do atendimento, relações abusivas entre jovens, equidade de gênero nas políticas de saúde e educação e direitos e saúde sexual e reprodutiva.
Para Giulia Luz, superintendente de Enfrentamento às Violências da Secretaria de Estado da Mulher, a formação busca desde a inclusão dessa temática no currículo até o desenvolvimento de um fluxo integrado para encaminhamento de casos de violência, desde sinais iniciais até casos mais graves.
"A violência contra meninas não começa no extremo. Começa no comentário, na regra seletiva, no olhar que reprova. A formação prepara os profissionais para identificar esses primeiros sinais, mas também para reconhecer situações mais graves e saber acolher e encaminhar corretamente cada caso dentro da rede de proteção", afirma.
O estudo "Livres para Sonhar" aponta também que sete em cada dez professores já perceberam impactos diretos da violência baseada em gênero na vida das alunas, como queda na frequência escolar, dificuldade de concentração, medo de participar das aulas e piora da autoestima.
Além disso, 29% dos docentes afirmam se sentir pouco ou nada preparados para discutir o tema com estudantes, enquanto 38% apontam a ausência de protocolos claros como um dos principais obstáculos para lidar com situações de violência.