Justiça do Rio decreta prisão de turista argentina por ofensas racistas em Ipanema

Agostina Paez, que se tornou ré, cometeu o crime contra quatro funcionários de um bar no bairro da Zona Sul da capital fluminense

Por Redação

Turista argentina e influenciadora Agostina Paez ao cometer ofensas racistas contra funcionários de um bar de Ipanema, Zona Sul do Rio, em 14 de janeiro de 2026

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público do estado e decretou a prisão preventiva da turista argentina e influenciadora Agostina Paez por ofensas racistas praticadas feitas em 14 de janeiro contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, zona sul da capital.

O juiz que atua na 37ª vara Criminal do Rio entendeu que a conduta foi reiterada e suficientemente grave para justificar a medida extrema.

Com a aceitação da denúncia, a argentina, que é advogada, passa à condição de ré em uma ação penal. O crime de racismo está previsto no art. 2º-A da lei 7.716/89 e prevê pena de prisão de dois a cinco anos

Antes da decretação da prisão, a pedido do MP/RJ, o magistrado já havia determinado medidas cautelares, como a proibição de Agostina deixar o país, a retenção do passaporte e o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo o processo, a turista estava com duas amigas em um bar na rua Vinícius de Moraes quando discordou do valor da conta e passou a ofender um funcionário, chamando-o de “negro”, de forma ofensiva, com o propósito de discriminá-lo e inferiorizá-lo em razão de sua raça e cor.

Mesmo após ser advertida pela vítima de que a conduta configurava crime no Brasil, ela se dirigiu à caixa do estabelecimento e a chamou de “mono”, termo equivalente a macaco em espanhol, além de fazer gestos simulando o animal.

A denúncia aponta que, após sair do bar, Agostina voltou a praticar novas ofensas. Na calçada em frente ao estabelecimento, proferiu outras expressões, emitiu ruídos e fez novamente gestos imitando macaco contra três funcionários do local.

No documento, a promotoria ressaltou que os relatos das vítimas foram corroborados por declarações de testemunhas, imagens do circuito interno de monitoramento do bar e outros registros produzidos no momento dos fatos.

Também foi rejeitada a versão apresentada pela denunciada de que os gestos teriam sido meras brincadeiras dirigidas às amigas, especialmente porque uma das turistas tentou impedir a continuidade das ofensas, o que demonstraria a consciência da reprovabilidade da conduta.

Manifestação

Após a decisão da Justiça, a advogada divulgou um vídeo nas redes sociais em que se diz “desesperada” e “morta de medo”.

"Tenho medo de que fazer este vídeo me prejudique, que meus direitos sejam ainda mais violados. Não posso falar sobre o que aconteceu; só espero que tudo seja esclarecido e resolvido da maneira correta."