Governador do Rio exonera diretor do RioPrevidência, alvo de operação da PF
Deivis Marcon Antunes é investigado por indícios de irregularidades no aporte de quase R$ 1 bi da entidade no Banco Master
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou o diretor-presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, na tarde desta sexta-feira, após ele renunciar ao cargo. O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado do Rio.
Antunes encaminhou ao governador a carta de renúncia horas depois de a Polícia Federal executar a Operação Barco de Papel para apurar suspeitas de irregularidades no aporte de R$ 970 milhões feito pelo RioPrevidência - Regime Próprio de Previdência Social do Rio de Janeiro - em fundos ligados ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro e que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. Além de Antunes, a PF mirou também o ex-diretor de Investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que haviam deixado os cargos após as suspeitas envolvendo o Banco Master. A sede do RioPrevidência também foi alvo dos agentes.
Durante as buscas na residência de Antunes, os agentes não o encontraram. No último dia 15, ele viajou para os Estados Unidos.
No seu endereço, a PF apreendeu um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em espécie, um pen drive, um relógio e documentos diversos.
Negociação
O RioPrevidência tentava reverter as suas aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Master. Os papéis foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2024. O fundo está em negociação para substituir as letras por precatórios federais.
A operação Barco de Papel investiga a suspeita de que tenha havido operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio do fundo a um risco elevado e incompatível com a sua finalidade. A aplicação dos recursos pelo RioPrevidência foi realizada mesmo após Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE/RJ) alertar o fundo sobre concentração excessiva em ativos ligados ao Master.
A PF apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN), como de gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização e ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
“A investigação, iniciada em novembro de 2025, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, diz a nota da PF.