Senado aprova mudanças na Lei da Ficha Limpa para beneficiar políticos
Projeto de Lei da deputada Dani Cunha (União-RJ) foi votado nesta terça-feira em meio ao julgamento da "Trama Golpista"
O Senado aprovou, nesta terça-feira (2), o projeto de lei que unifica em oito anos o período de inelegibilidade para políticos condenados pela Lei da Ficha Limpa ou que renunciaram o cargo. Por 50 votos a 24, o projeto define que o tempo de inelegibilidade seja contado desde a decisão judicial e não mais a partir do fim do mandato do político.
A proposta de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ) foi aprovada anteriormente na Câmara dos Deputados e com o aval do Senado, segue para o Presidente Lula, que decidirá pela sanção ou veto. Ao Correio da Manhã, o ex-juiz e advogado eleitoral Márlon Reis apontou como o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (REP), e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (REP), podem se beneficiar com a mudança.
Momento propício para votação da pauta
"O projeto foi feito sob medida pela filha do Eduardo Cunha. Com isso, além de ele poder se candidatar, outros políticos corruptos farão o mesmo. O Senado se aproveitou covardemente de um dia que a sociedade está voltada para o julgamento de Jair Bolsonaro", declarou Márlon Reis, ex-juiz e advogado eleitoral.
Um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa original, Márlon Reis explica que atualmente as penas se acumulam. Assim, caso o político seja condenado por oito anos, ele ainda terá que cumprir mais até oito de afastamento de cargos públicos.
"Todos os delitos repercutem e a inelegibilidade permitia o afastamento do político por um período maior, somando as penas dos crimes cometidos e com base na Lei da Ficha Limpa. Desta forma, uma pessoa condenada pela justiça a 8 anos de prisão, cumpriria mais 8 anos de afastamento após sua saída", comentou o especialista.
Mudanças na Lei da Ficha Limpa podem beneficiar Eduardo Cunha e Garotinho
Em alguns casos, o a alteração no projeto reduz o período de inelegibilidade mediante um recálculo das penas e com limite de 12 anos, beneficiando diversos políticos, inclusive do Rio de Janeiro, como Anthony Garotinho (REP) e Eduardo Cunha (REP), citados anteriormente.
A lista de crimes do ex-governador do Rio engloba corrupção, organização criminosa, falsidade eleitoral, formação de quadrilha, desvios e superfaturamentos em contratos públicos, supressão de documentos e coação. Já Eduardo Cunha, além do afastamento pela Lava Jato (STF), teve mandato cassado com inelegibilidade até 2026, foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros.
"O projeto contém inconstitucionalidades e ofende o princípio de moralidade administrativa. A lei deve ter uma finalidade social. Nesse caso, o PL não oferece nenhum benefício para a sociedade, somente para pessoas condenadas e afastadas dos processos eleitorais. A mudança na Lei da Ficha Limpa vem sendo tramada há muito tempo e ofende milhões de pessoas, pois está se tornando algo para beneficiar políticos. Houve desvio de função legislativa para atender interesses de políticos, especialmente Eduardo Cunha", concluiu Márlon Reis, que acredita no veto por parte do presidente Lula.
