☰
✕

Brasil brilha no Mundial de Ginástica com Rebeca Andrade e Flávia Saraiva

Com os resultados, Brasil alcança a marca de 27 medalhas na história dos Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística

Por Marcelo Perilier e Pedro Sobreiro

Das 27 medalhas do Brasil em Mundiais de Ginástica Artística, 17 foram conquistadas pelas equipes femininas

Rebeca Andrade vai escrevendo mais um capítulo na sua história no esporte olímpico brasileiro. Ela, que já pode ser considerada a maior atleta da história da ginástica dos últimos tempos, vem fazendo uma série de conquistas depois do período sabático pós Jogos Olímpicos Paris 2024. Se este será o último ciclo dela, ninguém sabe. Porém, se for, está sendo recheado de ouros e provando que um atleta, independente da modalidade que por, merece sim um período de descanso para relaxar a mente e o corpo, antes de voltar a treinar em alto nível.

Depois do ouro no Pan-Americano de Ginástica, no Rio, e no Brasileiro, Rebeca foi para Roterdã, na Holanda, com uma alta expectativa de conseguir, pelo menos, um pódio no salto sobre a mesa, prova que ela escolheu para voltar a competir neste primeiro momento. Das classificatórias até as finais, ela mostrou que foi para a Europa com o gosto de conseguir uma medalha, de fato, com saltos precisos, técnicos e cheios de dificuldades.

MeloGym/ CBG - Rebeca Andrade venceu o mundial de saltos em 2021, 2023 e agora na edição de 2026. Com isso, a ginasta brasileira acumula no currículo dez pódios na história dos campeonatos mundiais

Na final, duas apresentações de gala com Yurchenko com dupla pirueta e Lopez, fazendo a estrela brasileira ser a única a atingir a marca de 14 mil pontos nas duas tentativas, fazendo ter a soma total de 14.466. As norte-americanas Claire Pease (14.233) e Skye Blakely (14.166) completaram o pódio.

Mais do que conquistar o ouro e o tricampeonato mundial, Rebeca se sentiu realizada, depois de tudo que fez para estar no topo novamente.

- Esta medalha tem sabor de retorno. Agora concretizei, em todas as competições de que participei depois de voltar, sempre consegui bons resultados. Não poderia estar mais feliz. Eu me enxergo como uma pessoa muito realizada, com todas as conquistas possíveis no meu esporte. Hoje as pessoas me veem e me entendem por conta da ginástica. Eu me sinto muito orgulhosa - disse a brasileira de 27 anos.

Sobre as especulações de que este pode ser o último ciclo dela, vai muito do que o treinador dela, Francisco Porath Neto, mais conhecido como Chico, disse ao Correio da Manhã em junho deste ano, no Pan-Americano de Ginástica, no Rio.

- A gente não busca resultado, busca o retorno dela. Então, teria que ver a contribuição dela dentro da equipe. Aanhar é consequência. Ela tem bons saltos, com execução boa e que leva ela a um somatório bom, para esse nível de competição [continental]. Talvez no Mundial, o nível já esteja bem mais alto - declarou Chico, na época. E como o público viu, a estrela da ginástica brasileira realmente veio com tudo para o Mundial.

Mesmo com essa carga de treinos menos puxada e ainda voltada para o salto, Rebeca é uma peça importante para a equipe brasileira e pode sim, ganhar o ouro olímpico em Los Angeles 2028 e atingir mais recordes pessoais e na história do esporte nacional.

Flávia Saraiva conquista o bronze

Neste domingo (25), o Brasil encerrou sua participação com mais uma medalha. Na final da trave, Flavinha Saraiva teve grande apresentação, mas sofreu um pequeno desequilíbrio que rendeu a ela uma pontuação de 14.300, o suficiente para garantir a ela o terceiro lugar na competição. Ela ficou atrás apenas da chinesa Zhang Qingying, que teve 14.566 pontos, e da grande campeã da prova, a argelina Kaylia Nemour [14,566].

- Na final não tem estratégia, era fazer o maior nível de dificuldade possível, porque a gente já viu que na classificatória já tinha sido notas muito altas para poder entrar. Acho que foi uma das finais de trave mais difícil para poder entrar nos últimos tempos. Já sabia que a final ia ser difícil. Sabia que tinha que fazer todas as minhas dificuldades para poder brigar. Sei que dava para ser um pouquinho melhor se não tivesse aquele desequilíbrio no mortal lateral, mas a gente entende que faz parte, é o nervosismo também na nossa barriga. Mas fico muito feliz com essa medalha, finalmente consegui depois de 10 anos tentando. Me dá um alívio, mas agora eu quero mais - disse Flávia Saraiva ao SporTV.