Carlo Ancelotti convoca a Seleção para amistosos contra Austrália e Índia
Treinador começou processo de renovação da Amarelinha sem a presença de medalhões na lista
Na tarde desta quarta-feira (9), o técnico italiano Carlo Ancelotti anunciou sua primeira convocação da Seleção Brasileira, após a eliminação precoce da Copa do Mundo 2026, nos EUA.
Os 26 atletas convocados defenderão a camisa verde e amarela na Data FIFA que será realizada entre 26 de setembro e 6 de outubro, em que o Brasil enfrentará a Austrália duas vezes e a seleção indiana.
O evento foi realizado na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, e foi marcado por muitas novidades na Canarinho e pelo reconhecimento da frustração no Mundial por parte do treinador, que se desculpou com a torcida e falou que esse novo ciclo terá, de fato, um processo de renovação na Seleção.
- Eu acho que esta é uma lista equilibrada. Temos os jogadores que estiveram na Copa do Mundo, que eu acho que serão importantes para a próxima geração de atletas. Para a Copa do Mundo [de 2030] temos jovens que têm idade, têm qualidade para representar o futuro da Seleção. E temos também jogadores que estão jogando muito bem no Campeonato Brasileiro, e temos bons jogadores em idade olímpica. Porque o trabalho que estamos fazendo agora é compartilhado com o treinador do sub-20, porque é óbvio que, nesse momento, precisamos priorizar os jovens que têm qualidade para estar na próxima Copa do Mundo ou, como objetivo inicial, na próxima Copa América [2028] - comentou Ancelotti.
Fim da "Geração 7 a 1"?
Algo que chamou atenção na convocação foi a ausência de jogadores veteranos. Com exceção de Marquinhos e Douglas Santos, ambos com 32 anos, nenhum jogador com mais de 30 anos foi convocado, em virtude da renovação pretendida pelo treinador.
A convocação foi de encontro a uma crítica do zagueiro Thiago Silva, capitão da Seleção nas Copas do Mundo de 2014 a 2022, que criticou publicamente o processo de renovação do italiano na noite de terça (8), após vitória do Fluminense por 2 a 0 sobre o Platense na Libertadores.
- Quer que eu minta ou fale a verdade? Você não pode descartar quem tem 31, 32, 33 anos. Eu quase fui para a Copa com 41. Não pode descartar quem está vivendo um bom momento. Na Seleção Brasileira, as coisas têm que ser devagar. Não pode tirar todo mundo e por garoto novo. Tem que ser passo a passo [...] Eu não gosto desse tipo de mudança [na Seleção]. Não concordo. Porém, ele [Carlo Ancelotti] é quem está no comando", afirmou o capitão tricolor em entrevista à Rádio Tupi.
O tema foi assunto na coletiva pós-convocação e Ancelotti foi bastante direto ao dizer que jogadores em reta final de carreira não são o futuro da Seleção.
- Primeiro tenho que agradecer os jogadores que já tomaram a decisão de não estar com a Seleção para o futuro. Agradecer eles pelo compromisso que tiveram conosco quando estiveram aqui. E digo que a porta está aberta para todos, mas é óbvio que agora prefiro focalizar o trabalho, o trabalho nos jovens, e acompanhar os jovens na progressão [...] É claro que eu não olho, em geral, para a idade dos jogadores, mas creio que agora é um momento para priorizar os jovens que têm potencial e que podem estar no futuro da Seleção. Porque um jogador de 34, 35 anos não vai ser o futuro [da Seleção], mas pode ser o presente. E se um jogador dessa idade estiver preparado para jogar uma competição importante, vai estar na Seleção. Mas agora creio que a prioridade seja priorizar os jovens - respondeu.
Ancelotti também falou sobre divergências com clubes sobre uso de promessas no futebol profissional.
- Acho que também é importante dizer que, às vezes, o objetivo dos clubes não é o mesmo da Seleção. Temos jogadores que acreditamos que poderão representar o futuro da Seleção, mas que não estão jogando. E nós temos que acompanhar esses jogadores. Também se eles não jogarem [nos clubes], temos que chamá-los para darmos a oportunidade de jogarem e progredirem [na Seleção] - desabafou o treinador.
Ciclo completo
Outro tópico bastante comentado na coletiva foi a possibilidade de Ancelotti ter um ciclo completo de Copa do Mundo, já que chegou à CBF faltando cerca de um ano para o Mundial de 2026.
- Agora temos o tempo para fazer as coisas com mais calma, com mais tranquilidade para avaliar bem todos os jogadores. Como eu disse, a ideia é, é muito clara: mudando ou não, podemos trabalhar uma nova geração de jogadores. E eu acho que sim, podemos fazer um trabalho sem pressa, tomando a decisão mais correta para o futuro - explicou o treinador, que também comentou sobre a principal carência da Seleção, em sua visão: o meio de campo.
- Falando de qualidade, eu acho que, neste momento, há algumas posições que estamos muito bem servidos. Não acho que vamos ter problemas no futuro defesa ou com atacantes. Temos que escolher meio-campistas, porque temos um pouco de carência no meio-campo, isto é óbvio. E isso pode determinar também o modelo de jogo para o futuro da Seleção. Porque o modelo de jogo depende muito das características dos jogadores que temos no momento - assumiu.
Carletto citou como exemplo a atual campeã do mundo, Espanha, que conquistou a Copa com um time fortalecido por um meio de campo que joga junto há anos. Para ele, o que Brasil pode tirar de lição desse título é escolher um estilo de jogo que se adapte à qualidade dos atletas disponíveis.
- Agora todo mundo fala do modelo de jogo da Espanha, mas a Espanha pode propor esse modelo de jogo porque tem muitos meio-campistas neste momento. A Espanha teve a sorte de ter uma geração de meio-campistas muito forte. Por isso digo também que o modelo de jogo depende das características dos jogadores que você tem neste momento. Quando se tem muitos defensores bons, muitos atacantes bons, fazer um jogo de controle de posse de bola é muito mais complicado - completou Ancelotti.
Jogadores do Brasileirão
Outra novidade foi a ampla presença de atletas do futebol brasileiro na lista: 10. Para o treinador, isso faz parte do processo de observação dos jogadores disponíveis.
- A verdade é que estamos avaliando todos os campeonatos e todos os jogadores brasileiro. Pode ser que, neste momento, o jogador brasileiro esteja em uma condição física melhor, porque o Campeonato Brasileiro é mais adiantado que outras ligas, mas não significa que daremos prioridade ao jogador que esteja jogando no Brasil. Eu acho que estes jogadores que chamei, que atuam no Campeonato Brasileiro, estão jogando muito bem e podem agregar à Seleção. Também chamei jogadores jovens, que eu não conheço pessoalmente, mas que têm potencial e que precisamos olhar e dizer a eles que estamos observando, porque queremos mudar e preparar uma nova geração de jogadores para a Seleção - concluiu o treinador.
Confira os convocados:
Goleiros:
Hugo Souza (Corinthians)
Pedro Morisco (Coritiba)
Otávio (Cruzeiro)
Defensores:
Arthur Dias (Athletico-PR)
Douglas Santos (Zenit)
Gabriel Magalhães (Arsenal)
Jair (Nottingham Forest)
Marquinhos (PSG)
Matheuzinho (Corinthians)
Mauro Jr (PSV)
Vitor Reis (Manchester City)
Wesley (Roma)
Meio-campistas:
Andrey Santos (Manchester United)
Breno Bidon (Corinthians)
Bruno Guimarães (Arsenal)
Danilo (Botafogo)
Douglas Luiz (Juventus)
Gabriel Bontempo (Santos)
Atacantes:
Endrick (Real Madrid)
Estêvão (Chelsea)
João Pedro (Chelsea)
Pedro (Flamengo)
Raphinha (Barcelona)
Rayan (Bournemouth)
Samuel Lino (Flamengo)
Vinicius Jr (Real Madrid)