UEFA confirma boicote caso criação da FIFA Forward Enterprise seja aprovada
Mais duas confederações manifestaram repúdio ao projeto de Gianni Infantino
A guerra entre UEFA e FIFA ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (30). Após avisos de que armaria um boicote caso a entidade máxima do futebol não voltasse atrás na proposta de criação da FIFA Forward Enterprise, (FFE) que planeja criar uma empresa para gerir a parte comercial da Copa do Mundo, a UEFA oficializou seu repúdio.
A entidade máxima do futebol europeu divulgou um comunicado oficial afirmando ter chegado a um acordo com todas as seleções europeias, que concordaram em boicotar competições da FIFA, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes, caso a criação do FFE seja aprovada. A nota gerou grande repercussão nas redes sociais.
A decisão da UEFA recebeu apoio imediato de outras organizações relevantes, como a AFC (Confederação Asiática de Futebol) e a CONCACAF (Confederação da América do Norte, Central e Caribe). Juntas, essas três confederações são responsáveis por 143 federações afiliadas à FIFA. No total, são 211. A CONMEBOL, da América do Sul, não se posicionou.
O comunicado, divulgado nas redes sociais da entidade europeia na manhã desta quinta (30), garante que "nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes".
De imediato, a grande preocupação da FIFA quanto ao boicote se dá pela Copa do Mundo Feminina de Futebol, que será realizada no Brasil em 2027. Caso a FFE seja aprovada, as seleções europeias, asiáticas e norte-americanas estão comprometidas a não disputarem o torneio. Todas as campeãs do torneio, por sinal, vieram dessas três confederações.
No entanto, a grande preocupação a longo prazo se dá pela Copa do Mundo de 2030. Com jogos marcados para seis países diferentes, a edição promete uma grande festa para celebrar os 100 anos da criação da Copa do Mundo. Seria um vexame histórico uma comemoração esvaziada, que tem jogos programados para Portugal e Espanha.
Relembre o caso
O mundo da bola foi pego de surpresa na última terça-feira (28) com a notícia de que a FIFA, entidade máxima do futebol mundial, estaria estudando vender suas competições para empresários, dentre elas a Copa do Mundo. A decisão foi divulgada em um plano oficial da entidade, que fala na criação de uma empresa para "terceirizar" as operações de seus torneios.
O objetivo dessa decisão surreal de Gianni Infantino seria visando a venda de ações minoritárias desta nova empresa, que seria chamada de FIFA Forward Enterprise (FFE) e teria controle majoritário da entidade para trabalhar a parte comercial de campeonatos como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes, o "Super Mundial".
Infantino afirmou que a empresa nasceria com um valor de mercado equivalente a 20 bilhões de dólares, algo em torno de R$ 103 bilhões, e a ideia seria vender ações equivalentes a 4.2 bilhões de dólares, conferindo aos acionistas participação minoritária. Segundo a emissora italiana SkyNews, conversas com Donald Trump teriam influenciado a decisão.
De acordo com a SkyNews, a principal interessada em adquirir ações da FIFA é a Thrive Eternal, uma holding de investimento de capital permanente americana, cujo CEO é Josh Kushner. O irmão de Josh, Jared Kushner, é casado com Ivanka Trump, filha de Donald Trump. Ou seja, Josh é cunhado da filha do atual presidente dos EUA.
O anúncio obviamente não foi bem recebido pela comunidade internacional do futebol. Nas redes sociais, comentários alegando que a FIFA está vendendo a alma do esporte para empresários tomaram conta. Em nível profissional, a UEFA, principal entidade do futebol europeu, anunciou que boicotará a Copa do Mundo caso ocorra a venda.
O boicote da UEFA é uma dor de cabeça para Infantino, visto que a entidade recebe 1/3 das vagas para a Copa do Mundo com 48 seleções. Não teria como manter o atual formato e muito menos estender para 64 seleções, como sonha a FIFA, sem a Europa. Gianni afirma que cada federação receberia mais dinheiro para desenvolver o futebol com a venda das ações.