MetLife Stadium: o "MausoLéo" de Messi
Craque argentino foi do sonho ao pesadelo no MetLife Stadium, estádio do trauma de 2016
A reta final da Copa do Mundo de 2026 foi brutal para Lionel Messi. Protagonista desta edição aos 39 anos de idade, o camisa 10 da Argentina chegou à final podendo conquistar seu segundo título mundial, o tetracampeonato da Argentina, a Bola de Ouro do torneio, a artilharia desta edição e a artilharia geral das Copas do Mundo.
Porém, o que aconteceu em cerca de 120 minutos de jogo mudou tudo. Em vez da glória eterna em sua despedida, Messi vivenciou, de dentro de campo, um vexame enorme para a Argentina.
Começo com recorde
A tarde do domingo (19) começou com um recorde para Messi. Ao entrar no gramado do MetLife Stadium, o camisa 10 se tornou o segundo jogador da história a disputar três finais de Copa do Mundo. Ele se juntou ao lateral-direito brasileiro Cafu como os únicos a terem conseguido tal feito.
Só que os recordes positivos para o argentino terminaram por aí. O que se viu durante a partida foi uma verdadeira doutrinação espanhola, que jogou com um meio de campo inesgotável, capaz de correr e marcar durante todo a partida. A marcação espanhola foi tão eficiente que conseguiu anular Lionel Messi e todo o resto do time argentino.
Nem mesmo as faltas argentinas, que a arbitragem cansou de fazer "vista grossa" nesta Copa do Mundo, foram capazes de desestabilizar os marcadores, que rodaram a bola por todo, sempre criando boas chances de gol.
Longe do gol
O domínio espanhol foi tão impressionante que, nos 90 minutos de jogo, a Argentina não deu um chute a gol sequer, enquanto a Espanha chutou 20 vezes contra a meta argentina, para 11 defesas do goleiro Dibu Martínez.
É um recorde negativo vexatório. Pela primeira vez na história dos Mundiais, uma seleção finalista passou os 90 minutos de jogo sem chutar a gol.
Maior vice da história
Mais do que isso, a Argentina até chegou ao tetra, mas não exatamente o que eles queriam. Com a derrota para a Espanha, a Albiceleste chegou à incômoda marca de quatro finais perdidas ao longo das Copas.
O primeiro vice veio logo na estreia, em 1930, quando perdeu para o Uruguai por 4 a 2, em Montevidéu. O segundo vice-campeonato veio em 1990, na Itália, quando os argentinos perderam por 1 a 0 para a Alemanha. O 'tri-vice' veio no Brasil, em 2014, quando a Alemanha voltou a vencer os argentinos por 1 a 0, no Maracanã. Agora, para fechar o tetra, a derrota por 1 a 0 para a Espanha, nos EUA.
A Argentina está ao lado da Alemanha como as maiores vices do torneio, ambas com quatro finais perdidas. Os alemães, no entanto, têm um título a mais que os argentinos.
Messi perde tudo
Com a marca de três finais disputadas, Messi, caso vencessem poderia se juntar a um seleto grupo de bicampeões. Como perdeu, ele se tornou o 28º jogador na história dos Mundiais a ser bi-vice da Copa.
Porém, mesmo que perdesse a final, já que ganhar ou perder é do jogo, Messi tinha a chance de bater recordes individuais. Só que realmente não era o dia do argentino, que terminou o torneio de mãos abanando.
Até a manhã de sábado (18), Lionel Messi era o artilheiro da Copa do Mundo de 2026, com 8 gols marcados, e o maior artilheiro da história das Copas, com 20 gols marcados ao longo de seis edições.
Só que, ao anoitecer, entrou em campo um tal de Kylian Mbappé, no Hard Rock Stadium, em Miami, para a disputa de terceiro lugar no clássico entre França e Inglaterra.
Mbappé caçou Messi ao longo de todo o torneio. Quando o argentino marcava, o francês ia lá no jogo seguinte e repetia o feito. Foi uma disputa muito divertida de acompanhar. Então, no jogo de sábado, vencido pela Inglaterra por 6 a 4 - uma verdadeira insanidade -, o atacante britânico Bukayo Saka marcou um hat-trick, mas quem celebrou mesmo foi Mbappé.
O camisa 10 da França marcou dois dos quatro gols dos 'Les Bleus', chegando a 10 gols marcados na Copa de 2026 e chegando a 21 gols em três Copas do Mundo, o artilheiro máximo do maior torneio do planeta.
Messi ainda tinha chance de terminar sua passagem em mundiais como artilheiro máximo, bastava fazer um gol para dividir o título individual com o francês. No entanto, ao passar em branco na finalíssima, o argentino acabou perdendo de uma só vez o título, a artilharia geral e a Chuteira de Ouro de 2026, que foi dada a Mbappé.
Melhor jogador da Copa?
Mas ainda restava um prêmio de consolação para Messi. Após fazer sua melhor Copa do Mundo aos 39 anos de idade, o craque argentino era o principal candidato a levar o prêmio de melhor jogador da Copa. Só que, depois da atuação absoluta na final - e nas outras partidas decisivas -, o prêmio foi concedido ao meio-campista Rodri, da Espanha.
Messi já é o recordista do prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo, tendo levado o prêmio para casa em 2014 - em uma decisão da FIFA que é contestada por muitos até hoje - e em 2022, quando foi campeão no Qatar.
Maldição do MetLife
A final aconteceu no MetLife Stadium, o "Mausoléu" de Messi. Foi nesse estádio que, há 10 anos, após o vice-campeonato para o Chile, na final da Copa América Centenário, Lionel Messi chocou o mundo ao anunciar sua aposentadoria da seleção argentina.
Na época, ele vinha do vice na Copa do Mundo de 2014, do vice na Copa América de 2015 e na Copa América Centenário de 2016.
"Já tentei muito. Me dói mais em mim que a qualquer um não poder ser campeão com a Argentina. Mas é assim: não deu e infelizmente vou [me aposentar]. A seleção acabou para mim", disse Messi na ocasião.
A decisão, como todos sabem, não durou muito. O choque de perder Messi fez com que o povo argentino se comovesse pelo camisa 10, que até então era tratado como uma grande decepção em sua terra natal. O medo de perder Messi deu início a uma campanha argentina para que o craque reconsiderasse sua decisão e assim, um mês depois, ele retornou.
A final deste domingo foi uma chance de reescrever um dos capítulos mais dolorosos de sua carreira, justamente no palco em que tudo quase acabou, mas não era para ser. Dessa forma, Messi termina sua passagem pela seleção argentina com seu próprio "MausoLeo": o MetLife Stadium.
Pelé segue no topo
De qualquer forma, o vice-campeonato não apaga a grandiosidade de Lionel Messi, um dos maiores da história, mas dá fim a uma discussão que vinha tomando a internet e os bares pelo mundo: Pelé ainda é o maior de todos.
Por ironia do destino, a cidade que presenciou a despedida do maior camisa 10 da história do futebol, lá em 1977, deu a Messi uma chance de tentar alcansar a grandiosidade do Rei em suas terras. Só que a coroa pesada do futebol se recusou a mudar de cabeça, permanecendo eternamente sobre a de Edson Arantes do Nascimento, o único tricampeão de Copas do Mundo.
Antes do início da partida, muitos diziam que se fosse campeão novamente, Messi passaria Pelé, mesmo tendo menos Copas. Com a derrota, esses mesmos vira-latas sumiram.
Messi é um craque, mas Pelé é eterno. O segundo lugar na hierarquia do futebol é mais que merecido para o craque e ídolo argentino.