Trump assume interferência na Copa do Mundo

Presidente americano confirmou ter ligado para Gianni Infantino sobre revogação da expulsão de artilheiro americano

Por PEDRO SOBREIRO

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A anulação do cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun segue repercutindo internacionalmente. Nesta segunda (6), antes da partida decisiva entre Estados Unidos e Bélgica, o presidente americano Donald Trump admitiu publicamente ter ligado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, para rever a expulsão do artilheiro.

O presidente americano disse não saber que o cartão vermelho implicava em suspensão automática. "Quando descobri, pensei: 'só pode estar brincando'". Donald Trump não crê ter interferido no Mundial. "Tudo o que fiz foi pedir uma revisão [sobre o lance], porque não achei que foi falta", disse o presidente dos EUA.

O artilheiro americano foi expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus na partida contra a Bósnia-Herzegovina, na quarta-feira (1º), após revisão do árbitro de vídeo. Trump levantou suspeita sobre Claus. "Esse árbitro é meio suspeito se você checar o passado dele. Não quero dizer isso, pois não gosto de criar polêmica, mas é muito suspeito", disse.

Por meio de comunicado, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, negou as acusações de que a suspensão do cartão tenha ocorrido por interferência de Trump. "Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles operam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nas regulamentações aplicáveis e nos fatos específicos diante deles", disse a nota.

"Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve sempre ser respeitado", continuou. O suíço também afirmou que discute "regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos, e nesse caso, recebi uma ligação do Presidente Donald Trump".

"Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA quando elas são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo com elas, e às vezes, discordo. O que eu sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam", afirmou Gianni Infantino no comunicado divulgado à imprensa.

Confira a nota na íntegra:

Presidente da FIFA Gianni Infantino:

“Eu vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA relacionada à suspensão de Folarin Balogun, e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da FIFA.

“Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles operam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nas regulamentações aplicáveis e nos fatos específicos diante deles. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve sempre ser respeitado.

“Sim, eu discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos, e nesse caso, recebi uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, funcionários governamentais, partes interessadas no futebol e executivos empresariais de todo o mundo sobre muitos temas diferentes. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da FIFA funciona, e é um princípio que eu sempre defenderei.

“Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA quando elas são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo com elas, e às vezes, discordo.

“O que eu sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam. Se gostamos pessoalmente de uma decisão ou não é irrelevante. O respeito pelas instituições independentes e pelo Estado de Direito é o que protege a integridade de nossas competições e a credibilidade da FIFA em todos os momentos.”