Neymar Jr. pode levar até seis semanas para voltar a jogar
Santos diz que enviou todos os exames à CBF e que confia que 'Neymar estará pronto'
Neymar pode levar de quatro a seis semanas para voltar a jogar futebol em alto nível, segundo o ortopedista e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Americana de Cirurgiões Ortopedistas Maurício Leite. O atacante do Santos e da seleção brasileira sofreu uma lesão na panturrilha no último dia 17, véspera da convocação dos 26 atletas do Brasil para a Copa. Ou seja, se o prazo de recuperar for o maior pelo especialista, o jogador só estaria à disposição do time na segunda fase do Mundial, a partir de 28 de junho. Assim, é muito difícil que Neymar esteja à disposição de Ancelotti no início da Copa. A estreia do Brasil no Grupo C ocorrerá em 13 de junho, 16 dias contados a partir de quinta. Após essa partida contra Marrocos, em East Rutherford, a equipe enfrentará o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia, e a Escócia, em 24 de junho, em Miami Gardens.
Nesta quinta (28), o médico da seleção, Rodrigo Lasmar, afirmou que o problema na panturrilha direita do jogador é bem mais grave do que diziam o próprio jogador e o Santos.
Os exames realizados pelo departamento médico da seleção brasileira apontaram uma lesão de grau 2, o que significa que houve ruptura parcial das fibras musculares, não apenas um edema (acúmulo de líquido no músculo que provoca inchaço), como dito anteriormente.
"Ele se apresentou ontem [quarta] aqui na Granja Comary. Fez todos os exames aqui, também os exames complementares [em uma clínica de Teresópolis], com uma ressonância magnética. Foi identificada uma lesão de grau 2 na panturrilha, não apenas um edema. O jogador segue em tratamento. A expectativa é que no prazo de duas a três semanas esteja liberado", disse Lasmar.
À reportagem, o ortopedista Maurício Leite afirmou que a expectativa é de que o atacante seja liberado para treinos em duas ou três semanas, mas, para jogar em alto nível, ele deverá estar totalmente pronto entre quatro e seis semanas, a partir do dia que se machucou.
Conforme Leite, as lesões musculares são graduadas de acordo com a gravidade. Na de grau 2, diagnosticada em Neymar, há um dano parcial das fibras musculares. "Não há apenas um estiramento", diz o médico, que realiza cirurgias no Hospital SOS Mão e Ortopedia, de Recife.
"Vai ser necessário um tratamento de reabilitação com fisioterapia e um certo repouso para que ele possa estar junto com o time para a Copa do Mundo", diz.
André Pedrinelli, médico ortopedista e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, explica que na lesão de grau 2 já acontece ruptura até um vível de 20% das fibras musculares.
"A evolução clínica depende muito da idade do atleta, tamanho e localização da lesão ou perna dominante de chute ou não e se é é uma lesão nova ou recidiva ou se há outras prévias", afirma ele, que também estima até seis semanas de recuperação.
Santos se defende
O Santos afirmou nesta quinta-feira (28) que compartilhou com a CBF todos os exames feitos por Neymar desde a lesão, dia 17 de maio, e que a estimativa de retorno às atividades era domingo (31).
Após o pronunciamento da CBF, o Santos divulgou uma nota na qual diz que "absolutamente todos os exames realizados por Neymar Jr. foram compartilhados" com os médicos da seleção antes da convocação. "O prazo de duas semanas [para recuperação] é contado a partir do dia 17 [dia da lesão] e termina neste domingo (31) para que o jogador estivesse apto a voltar às atividades. Lembrando sempre que essas estimativas variam de pessoa para pessoa e conforme a necessidade da equipe e importância dos jogos."
"Os profissionais do Santos conhecem a capacidade de recuperação do atleta e estão confiantes de que Neymar estará pronto para disputar a Copa do Mundo", completa o clube.A situação gerou bastante desconforto nos dirigentes da CBF e na comissão técnica. Ficou claro para eles que o jogador e também o Santos não foram claros em relação à lesão, ocorrida na véspera da festiva convocação dos 26 atletas do Brasil no Mundial.
Por Fábio Pescarini, Fábio Haddad e Marcos Guedes (Folhapress)