Opinião | Ancelotti acerta na convocação de atletas mais experientes

Ao apostar na mescla de jogadores experientes com promessas do futebol brasileiro, Ancelotti prepara uma transição de gerações que não acontece desde os anos 90

Por PEDRO SOBREIRO

Retorno de Neymar Jr. à Seleção deve facilitar a transição geracional para receber os craques do futuro

Apesar de controversa, a convocação de Neymar Jr. e outros atletas experientes, como Casemiro e Danilo, para a Copa do Mundo 2026 tende a se mostrar acertada. Quando olha-se para trás e observa-se a condução das "gerações" do futebol brasileiro, a transição da geração do Penta, em 2002, liderada por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Kaká, em relação à geração "da frustração", encabeçada por Neymar, Philippe Coutinho, Thiago Silva e Oscar, foi tudo muito brusco. Craques como Ronaldo sofreram com a parte física. Já Ronaldinho, Adriano e demais tiveram carreiras muito mais curtas do que poderiam. O resultado foi uma Copa do Mundo de 2010 pífia, dependendo do talento de um lesionado Kaká e Elano, que se machucou na Copa.

Geração 2014 foi jogada 'na fogueira'

A geração que deveria ter recebido Neymar, Coutinho e cia. chegou a 2014 sem condições de performar em nível de Seleção Brasileira, jogando os meninos "na fogueira". Desde muito cedo, essa geração dos anos 2010 teve de assumir um protagonismo intenso demais para jovens. De uma hora para outra, os meninos viraram homens, representando 200 milhões de brasileiros em Mundiais, sem terem essa mentoria de atletas experientes dentro de campo.

Passagem de bastão

Ao convocar Neymar e Casemiro, por exemplo, Ancelotti tira a pressão de jogadores como Endrick e Rayan, que apesar de serem protagonistas naturais no esporte, vão a campo sabendo que se algo der errado, a cobrança será mais forte para os atletas experientes. Eles terão liberdade para errar e tentar suas jogadas características no maior palco do esporte mundial. Neymar terá a chance de "passar o bastão" para a próxima geração do futebol brasileiro, impedindo que essa molecada precise aprender na marra, assim como ele e seus companheiros experimentaram na última década.

Mais do que tirar esse "peso" das costas, de ter de lidar com a insatisfação popular de não levar Neymar para sua última Copa, Ancelotti fez uma jogada de mestre pensando no planejamento a longo prazo.

Sua conversa com o camisa 10, explicando o que imagina dele no elenco e que só jogará se for o melhor para o grupo, inspira disciplina e valorização de um talento que está ali para preparar o futuro da Seleção.