Brasil conhece os 26 atletas que vão em buscado hexa

Misturando experiência com as duas maiores joias do Brasil, Ancelotti aposta em ataque de mobilidade

Por PEDRO SOBREIRO

Ancelotti, durante o anúncio dos 26 convocados

Em uma tarde de celebrações, a Confederação Brasileira de Futebol promoveu a maior convocação da história da Seleção Brasileira. Ao longo do dia, milhares de pessoas passaram pelo entorno do Museu do Amanhã na expectativa de ver algum dos craques históricos do futebol brasileiro cujas presenças foram prometidas aos torcedores. Nem mesmo o tempo nublado da Cidade Maravilhosa impediu os torcedores de comparecerem ao evento do ano no Rio.

Do lado de dentro do Museu, mais de mil pessoas se reuniram para acompanhar a convocação. A estimativa era de 700 jornalistas do mundo inteiro e mais de 300 convidados, dentre ex-jogadores, patrocinadores e dirigentes.

Do lado de fora, uma verdadeira multidão se aglomerou para ver os ídolos do passado e assistir a divulgação dos nomes dos possíveis novos heróis da nação.

O evento celebrou o passado, enquanto mirava o futuro. Mas na torcida do lado de fora, somente um nome ecoava: Neymar. E quando Carletto anunciou que o camisa 10 do Santos estava dentre os 26 jogadores, a multidão que se aglomerava do lado de fora vibrou como se fosse um gol do Brasil na Copa do Mundo.

Divulgação/ CBF - O técnico italiano Carlo Ancelotti convocou os 26 jogadores que vão representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026

Aposta na experiência

Mas as surpresas não pararam por aí. No gol, um atleta que não foi chamado por Carlo Ancelotti em nenhuma Data FIFA apareceu na lista final aos 45 do segundo: o goleiro Weverton, do Grêmio. A fase dos goleiros brasileiros não é das mais confiáveis. O titular absoluto da Seleção, Alisson, sofreu uma lesão no Liverpool em março deste ano, com previsão de retorno para o fim deste mês. Isso daria a ele pouquíssimo tempo de readaptação ao campo, já que a Copa do Mundo começa em 23 dias. Na reserva, o goleiro Ederson não vive bom momento na Turquia, sendo criticado até mesmo pelos torcedores do Fenerbahçe. Para piorar a situação, o terceiro goleiro, que tinha boa vontade de Ancelotti, ficou extremamente mal visto ao frangar no último fim de semana na Arábia Saudita, em clássico que valia o título para o Al-Nassr de Cristiano Ronaldo. Com a confiança abalada, Bento perdeu a vaga para Weverton.

Multicampeão com o Palmeiras, Weverton se transferiu para o Grêmio, visando jogar mais. A estratégia deu certo, e o goleiro de 38 anos, que nunca foi convocado por Ancelotti, conseguiu a última vaga para o gol, com grandes chances de assumir a titularidade.

Vale lembrar que Weverton e Neymar foram os protagonistas de uma conquista emocionante há 10 anos: o inédito ouro olímpico da Seleção Brasileira no Maracanã. Uma década depois, a dupla se reencontra com o foco em apenas uma coisa: o hexacampeonato mundial.

Juventude pede passagem

Outros dois nomes que roubaram a atenção foram Endrick e Rayan. O centroavante ex-Palmeiras fez uma temporada brilhante no Lyon, e estava claramente pedindo passagem. Seria um vexame histórico para Ancelotti não levar o garoto de 19 anos, que parece destinado a decidir jogos grandes. Sua atuação no amistoso contra a Croácia, na última Data FIFA, em que sofreu um pênalti e deu uma assistência com apenas 20 minutos em campo, pesou muito a seu favor.

Do outro lado, o jovem Rayan, de 19 anos, vinha assombrando o futebol inglês. Nascido e formado nas categorias de base do Vasco da Gama, o atacante já havia roubado o protagonismo do Vasco de Philippe Coutinho para si em 2025, levando o clube à final da Copa do Brasil com seu físico avantajado e chute potente. Em 2026, com a transferência para o Bournemouth, o menino transformou a Premier League em Campeonato Carioca.

Sem sentir a pressão de disputar o maior campeonato nacional do mundo, Rayan tomou os holofotes e virou o grande protagonista do time, que não perdeu no campeonato desde a estreia do garoto. Na única chance que teve com Ancelotti, também no amistoso contra a Croácia, Rayan arrancou e fez sua tradicional jogada, que só não terminou em gol por detalhe.

São duas joias que representam o futuro da Seleção Brasileira e viverão sua primeira Copa do Mundo. E não se espantem se conquistarem a titularidade. São dois monstrinhos enjaulados apenas esperando a oportunidade de mostrarem ao mundo do que são capazes.

Ataque de muita mobilidade

O ataque da Seleção Brasileira talvez seja o mais móvel das últimas Copas do Mundo. Após uma temporada iluminada em 2024, quando foi campeão brasileiro e da Libertadores com o Botafogo, Luiz Henrique mostrou à CBF que poderia vestir a Amarelinha. Com uma disposição incansável, o atacante do Zenit conseguiu superar até mesmo estar atuando no futebol russo, que está desfiliado de competições FIFA por conta da guerra contra a Ucrânia, para carimbar sua vaga no maior torneio do planeta.

Nas pontas, Vini Jr. e Raphinha, craques de Real Madrid e Barcelona, foram chamados, sem surpresa.