Nos Jogos da Melhor Idade (Jomi), a idade é apenas um número
O esporte é combustível para Rita Fabelicio, de 93 anos, manter a mente e o corpo em plena atividade. A atleta de Birigui competiu em três modalidades nos Jogos da Melhor Idade (Jomi). E, se pudesse, ampliaria o seu catálogo.
Rita disputou a etapa da 6ª Região Esportiva do Jomi, em Araçatuba (SP), e, para variar, saiu com o pescoço decorado. Foram três medalhas de ouro: duas no atletismo, sendo uma na corrida e outra no arremesso de peso, e uma na natação.
"Nado há 37 anos, corro há 18 e faço arremesso de peso há quatro. Tenho saúde e amo o que faço. Se pudesse, faria mais uma ou duas modalidades", diz Rita.
O Jomi é parte importante da vida de atleta de Rita. Ela participa da competição desde a sua primeira edição, em 1997, e, segundo as suas contas, já bateu os três dígitos de medalhas.
"No Jomi, me distraio, faço amigos. Tenho mais de 100 medalhas. Estão todas guardadas em casa", conta.
A disposição de Rita nas pistas e nas piscinas gera sentimentos conflitantes dentro da própria família. A opção por viajar para competir não é unânimidade entre os seus parentes. "Na minha família, tem que me apoie e tem quem não goste do que eu faço. Um dos meus netos não gosta. Mas outro me apoia, sempre diz: 'Vai, vó, vai!'."
Com mais de duas décadas de Jomi, Rita espera inspirar outras pessoas na sua faixa etária a fazer do esporte uma rotina. "Chamo minhas amigas pra praticar esporte. Se não puder fazer atletismo ou natação, que jogue buraco, damas, bocha. Tem que ter coragem. Não pode desanimar."
Da mesma forma, a idade é só um número para Takuji Yamada. Aos 91 anos, o mesatenista de Araçatuba segue distribuindo seus golpes com a raquete.
No primeiro dia de disputas da etapa de Araçatuba (6ª Região Esportiva) dos Jogos da Melhor Idade, Takuji acabou derrotado por 2 sets a 0, mas não perdeu o brilho nos olhos. Para ele, o fato de estar fazendo o que ama é mais importante que o placar final.
"Jogo tênis de mesa desde os meus 20 anos. Já disputei torneios no Brasil e fora. Ganhar não é o que mais motiva. Eu jogo porque amo esporte e porque gosto de competir, de reencontrar velhos amigos", diz ele.
Takuji perdeu as contas de quantas edições do Jomi participou, mas ele não pretende arredar o pé da competição. Em 2027, Takuji e sua esposa e maior incentivadora, Kimiko, com quem é casado há 50 anos, vestirão novamente a camisa azul de Araçatuba.
"Enquanto puder caminhar, estarei no Jomi", crava.