Flamengo embala, e Jardim propõe 'casamento'
Time encaixa com bom futebol. Técnico prega união por time ideal
Leonardo Jardim se propõe a ser um casamenteiro no Flamengo. E até recorreu a um termo que aprendeu quando treinava o Monaco, na França. "Eu procuro sempre, como dizem os franceses, um marriage (casamento) entre os jogadores", mencionou o treinador após a goleada sobre o Independiente Medellín.
A metáfora é a linha de raciocínio para fazer o time jogar. O desempenho justifica o amor do técnico pelo que tem feito neste um mês e meio de trabalho. O casamento é para distribuir tarefas entre os jogadores, com o objetivo de montar uma engrenagem coesa. Ainda que isso signifique mudanças na escalação, como aconteceu em relação aos jogos contra Fluminense e Independiente Medellín.
"Casamos contra o Fluminense o Pedro com o Lino e o Plata. Quando o Pedro vinha por dentro, os dois iam na profundidade. Quando temos Bruno Henrique na frente, os dois pontas podem ajudar na zona interior, não precisam andar à profundidade, que o próprio Bruno dá", explicou o treinador.
É por essas e outras que em um jogo Carrascal ganha minutos -quando não é expulso - e em outro a substituição prioriza Luiz Araújo.
"Se um jogador vem buscar a bola no pé, o outro dá profundidade. Se um dá equilíbrio, o outro ataca mais o espaço. É sempre aproveitar essa ligação entre os jogadores", completou Leonardo Jardim.
A rotatividade e a movimentação na frente têm sido altas e viraram elementos importantes para o jeito do time jogar.
"O grupo vai amadurecendo as ideias do treinador. E, obviamente, a gente vai se sentindo mais seguro em campo. Vai se sentindo mais solto. E a gente tem um grupo que é muito unido. Um grupo que tenta, de todas as maneiras, estar sempre junto nos jogos, nos treinamentos. E levando adiante o trabalho que tem pelo ano. E, com certeza, essa sequência de resultados positivos é muito importante pra tudo que vem pela frente, pro ano inteiro. E a gente espera que a gente possa seguir ganhando força e, assim, fazer os resultados", disse Danilo, zagueiro do Flamengo.
Outro fator que ajuda é a versatilidade do time. Bruno Henrique pode atuar de três maneiras na faixa de ataque. Paquetá brilhou como segundo volante, mas pode ser tanto um 10 como um meia aberto pela direita. "Esses jogadores permitem ao treinador fazer alterações com mais qualidade", resumiu.
Hoje, há um contexto em que jogadores importante estão fora por lesão. Notadamente, Jorginho e Pulgar. O que vai definir quem joga? "Performance".
Mas mesmo diante de resultados, o treinador não quer baixar a guarda. "Não acredito na plenitude. Há sempre um espaço para melhorarmos na vida e no futebol", sintetizou.
Por Bruno Braz e Igor Siqueira (Folhapress)