Palestra pelo futebol sustentável nas finanças

Evento discutiu o Fair Play Financeiro no futebol do Brasil

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Desde 1º de janeiro deste ano, os clubes das Séries A e B do Brasileirão são submetidos a um conjunto de regras de sustentabilidade financeira no país. A iniciativa foi anunciada pela CBF ainda em 2025 com a criação do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro.

Por isso, a Federação Bahiana de Futebol, em parceria com a própria CBF, trouxe para a Bahia uma palestra da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O órgão independente é responsável por monitorar, fiscalizar, julgar e aplicar sanções do Sistema de Sustentabilidade Financeira.

O evento pioneiro reuniu profissionais de Bahia e Vitória, clubes baianos submetidos ao novo sistema, na sede da entidade, em Lauro de Freitas (BA). Também participaram representantes do Londrina Esporte Clube, que pertence à plataforma multiclubes Squadra Sports, fundada pelo baiano Guilherme Bellintani e com sede em Salvador.

Na oportunidade, diretores da ANRESF esclareceram pontos importantes sobre as regras e tiraram dúvidas dos departamentos financeiros dos clubes. O diretor administrativo e financeiro da FBF, Marcelo Araújo, e o analista contábil da entidade, Jorge Danilo, também acompanharam o evento.

Diretor-presidente da Agência, Caio Resende explicou o objetivo do sistema de fair play financeiro no Brasil. "O futebol brasileiro, hoje, enfrenta um problema muito parecido com que os clubes europeus passaram anos atrás. As receitas cresceram muito, mas o endividamento também cresceu muito. Mesmo num cenário de crescimento acelerado de receitas, o endividamento está muito alto. Isso aconteceu devido ao investimento excessivo no elenco profissional. Clubes investindo muito além das suas receitas, investindo em contratações que não podem honrar. O objetivo desse sistema de fair play é permitir maior equilíbrio financeiro às equipes e às competições. Um clube não pode gastar mais do que arrecada".

O órgão se baseia em cinco pilares com indicadores para monitorar os clubes: solidez dos compromissos, eficiência operacional, mitigação de risco, fomento ao futuro e transparência.

Mesmo com pouco mais de dois meses do início do monitoramento, a ANRESF já observou melhora da sustentabilidade financeira dos clubes. "Essa janela de transferências do início do ano foi a primeira no Brasil sob o programa de fair play financeiro e já conseguimos observar uma melhora. Os clubes já conseguiram reduzir seus gastos em 24%", continuou Caio.

Porém, o diretor-presidente, que também é Mestre e Doutor em Economia e diretor da CBF Academy, afirmou que a finalidade do trabalho da agência não é punir, mas ajudar os clube na busca pelo equilíbrio financeiro.

"A agência quer ser parceira dos clubes, quer manter canal diálogo aberto com todos", completou.