Campeonatos estaduais do sudeste terminam com muita emoção
Pênaltis, consagrações e pancadaria marcaram decisões dos campeonatos estaduais
Por Pedro Sobreiro
Esse fim de semana marcou o fim de alguns dos principais campeonatos estaduais do país. Da região sudeste, por exemplo, apenas o Campeonato Capixaba não foi concluído.
No Rio de Janeiro, o Flamengo bateu o Fluminense nos pênaltis, após um insuportável 0 a 0 no tempo regulamentar.
O jogo de estreia do técnico rubro-negro Leonardo Jardim já terminou com taça, após o goleiro Rossi defender dois pênaltis, de Guga e Otávio. A conquista do Campeonato Carioca deve amenizar o clima de crise que tomou a Gávea neste início de 2026. Além dos vice-campeonatos da Supercopa Rei e na Recopa Sul-Americana, o Flamengo iniciou o Carioca com o time sub-20, que não conseguiu desempenhar e chegou a correr risco de rebaixamento.
O título rendeu ao Rubro-Negro a 40ª taça do Campeonato Carioca, mantendo o clube como o maior campeão do torneio.
Em São Paulo, o sonho do Novorizontino de emplacar uma virada histórica foi frustrado pela eficácia alviverde. Com a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Palmeiras poderia até empatar para ser campeão. Porém, na casa do adversário, a torcida do Novorizontino fez pressão, enquanto o time foi decidido a virar.
No entanto, os comandados de Abel Ferreira não perdoaram. Aos 6 do primeiro tempo, Murilo bateu de coxa, após bate e rebate na área, e abriu o placar. O Novorizontino ainda conseguiu empatar com Matheus Bianqui, aos 26 do primeiro tempo, mas o resultado ainda daria a taça ao Palmeiras.
Aos 17 do segundo tempo, Vitor Roque aproveitou a saída estranha do goleiro Jordi e carimbou as redes do Novorizontino. Novorizontino 1, Palmeiras 2 e verdão campeão paulista após dois anos, pondo um fim ao jejum palmeirense de 700 dias sem erguer um troféu.
Vindo de uma temporada em que foi vice-campeão Paulista [perdeu para o Corinthians], Brasileiro [perdeu para o Flamengo] e Libertadores [perdeu para o Flamengo], o técnico Abel Ferreira aproveitou a vitória para valorizar a confiança que a presidente alviverde Leila Pereira teve em seu trabalho, optando por blindar o técnico das críticas e renovar seu contrato.
"Eu falo muito no nós. Isto é um trabalho que não é meu, é nosso. É um trabalho que é feito a partir de uma visão da nossa presidente [Leila], que tem a capacidade de ler a competência de seus profissionais e de apoiá-los [...] Se calhar, em um ano passado com três vices, em qualquer clube do Brasil teria sido despedido. Mas aqui a diferença do clube é que temos processos", disse Abel Ferreira à Cazé TV.
O título foi o 27ª conquista do Paulistão pelo Palmeiras. Além disso, foi o 11º título de Abel Ferreira no clube, fazendo dele o técnico mais vitorioso da história do Palmeiras.
Para Leila Pereira, inclusive, ele é o maior treinador da instituição.
"Abel Ferreira é o maior técnico da história do Palmeiras. Dane-se o que os outros acham. O que a presidente acha é isso", disse a presidente Leila Pereira.
Confusão ao fim do jogo
No Campeonato Mineiro, o resultado acabou sendo ofuscado por um episódio de violência que, na verdade, acabou ofuscando todos os outros resultados de campeonatos estaduais.
O Cruzeiro bateu o Atlético-MG por 1 a 0, pondo fim à hegemonia do rival, que foi hexacampeão mineiro consecutivo.
O gol do jogo foi marcado por Kaio Jorge, de cabeça, aos 14 do segundo tempo. O curioso é que o gol foi a única finalização do atacante na partida.
A conquista foi a 38ª taça de Campeonato Mineiro do Cruzeiro, que segue como segundo maior campeão do estado, perdendo apenas para o Atlético-MG, que tem 50 troféus.
Mas a partida ficou mesmo marcada por uma briga geneealizada que teve início nos minutos finais do jogo. No último lance do duelo, o goleiro Everson se desentendeu com Christian, do Cruzeiro, que se chocou com o arqueiro do Galo, que não gostou da atitude e revidou com um empurrão e joelhadas. Os jogadores do Cruzeiro não perdoaram e partiram para cima de Everson. Com a briga instaurada, os atletas do Atlético entraram na confusão.
Diante da falta de pulso da arbitragem de Matheus Candançan, que não tentou separar a briga, os seguranças do clube e a Polícia Militar entraram em campo, mas nem isso foi o suficiente para impedir a pancadaria entre os jogadores, que durou vários minutos. O jogo foi encerrado sem nenhuma expulsão em campo.
Porém, após os times saírem de campo, a súmula da partida confirmou a expulsão de 23 jogadores: 12 do Cruzeiro e 11 do Atlético.
Pelo lado da Raposa, Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, João Marcelo, Villalba, Kauã Prates, Christian, Lucas Romero, Matheus Henrique, Walace, Gerson e Kaio Jorge foram expulsos.
Pelo lado do Galo, Everson, Gabriel Delfim, Preciado, Lyanco, Ruan Tressoldi, Junior Alonso, Renan Lodi, Alan Franco, Alan Minda, Cassierra e Hulk foram expulsos.
Nas redes sociais, o Atlético-MG emitiu uma nota condenando a violência.
"O Clube Atlético Mineiro e seus atletas não corroboram com qualquer forma de violência no futebol. Ao final da partida disputada neste domingo, no Estádio Mineirão, válida pela final do Campeonato Mineiro, registraram-se cenas lamentáveis de mútuas agressões envolvendo atletas em campo. O Clube reafirma seu compromisso com o respeito, com o fair play e com os valores que devem nortear o esporte. Internamente, daremos as tratativas necessárias para que situações como essa não se repitam", disse a nota.
Já o Cruzeiro não se manifestou. A conquista do título foi muito celebrada internamente, não apenas pela interrupção da sequência hegemônica do rival, mas principalmente por aliviar um pouco do ambiente para que o técnico Tite possa tentar desenvolver seu trabalho.
