Fórmula 1 está de volta! Saiba tudo sobre a nova temporada

Correio da Manhã preparou um guia especial com tudo o que você precisa saber sobre a nova temporada da F1

Por PEDRO SOBREIRO

Temporada 2026 chega com mudanças intensas no regulamento, trazendo carros menores, mais leves e sustentáveis

A temporada 2026 da Fórmula 1 já começou. Nesta quinta-feira (5), os pilotos realizam o primeiro treino livre da temporada. Os segundo e terceiro treinos serão realizados nesta sexta, com a qualificação acontecendo no sábado (7) e a corrida a uma da manhã (horário de Brasília) de domingo (8).

A etapa da Austrália acontece no Circuito do Albert Park, em Melbourne, e promete muita emoção. Isso porque a temporada 2026 marca praticamente um recomeço para a Fórmula 1. Com um novo regulamento que vem dando o que falar, a categoria implementou o que muitos consideram a maior mudança de sua história.

Além disso, o grid desse ano conta com duas novas equipes, a Audi (que assumiu a estrutura e os pilotos da Sauber) e a Cadillac, que serão representadas nas pistas por Nico Hülkenberg e o brasileiro Gabriel Bortoleto, e os experientes Sergio Pérez e Valtteri Bottas, respectivamente.

Dois campeonatos

Divulgação/ McLaren - McLaren foi campeã de Construtores e de Pilotos (Lando Norris) em 2025

Em 2025, a grande campeã foi a McLaren. Os britânicos venceram o Campeonato de Construtores e o Campeonato de Pilotos, com o promissor Lando Norris conquistando seu primeiro título na categoria. É complicado definir qual dos campeonatos é mais importante, porque depende de perspectiva.

Enquanto o Campeonato de Pilotos é mais repercutido pelo público, considerado mais emocionante e atrativo em termos de marketing, o Campeonato de Construtores é financeiramente mais relevante, por render maior premiação às equipes. Elas recebem um valor consideravelmente maior da F1 do que as adversárias, o que significa uma maior bonificação para os membros do time e maior investimento para a temporada seguinte.

Para vencer o Campeonato de Construtores, a equipe conta com o sucesso de seus pilotos, mas principalmente dos carros. A conta soma pontos conquistados pelos dois representantes das equipes ao longo da temporada, tanto nas corridas quanto nos sprints.

Por exemplo, na temporada 2024, Max Verstappen foi campeão no torneio dos pilotos, mas a Red Bull Racing, sua equipe, perdeu o Campeonato de Construtores porque o então segundo piloto do time, Sérgio Pérez, teve péssimo desempenho, por não ter conseguido se entender com o carro, e passou diversas corridas sem conseguir pontuar.

Vale destacar que o campeonato considera os pontos dos carros. Ou seja, se a equipe optar por trocar um piloto ao longo da temporada, a pontuação conquistada anteriormente não será descartada. O substituto "herda" os pontos.

Para o Campeonato de Pilotos, a pontuação tem a ver com a posição nas corridas. Como são 22 pilotos na pista, os 10 primeiros colocados pontuam nas corridas da seguinte forma: o 1º colocado ganha 25 pontos; 2º: 18 pontos; 3º: 15 pontos; 4º: 12 pontos; 5º: 10 pontos; 6º: 8 pontos; 7º: 6 pontos; 8º: 4 pontos; 9º: 2 pontos e 10º: 1 ponto.

Além das corridas, os pilotos podem conseguir pontos extra nas etapas com Sprints, corridas mais curtas realizadas aos sábados, que dão pontos aos oito primeiros colocados. A pontuação funciona das seguinte maneira: o 1º colocado ganha 8 pontos; 2º: 7 pontos; 3º: 6 pontos; 4º: 5 pontos; 5º: 4 pontos; 6º: 3 pontos; 7º: 2 pontos e 8º: 1 ponto.

Novo regulamento

 

 

O controverso novo regulamento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) é visível nos carros que compõem o grid. Os carros estão menores, mais leves e mais sustentáveis, o que vem causando uma certa dificuldade de adaptação dos pilotos. Nomes influentes do grid, como o heptacampeão Lewis Hamilton e o tetracampeão Max Verstappen já reclamaram publicamente do regulamento.

Mais aerodinâmicos, os carros estão 30 kg mais leves, podendo pesar, no máximo, 768 kg já com os pilotos no cockpit. Além disso, eles estão menores, com 1.9 metro de largura (contra os 2m de 2025) e a distância entre os eixos foi definida em 3.4 metros (contra os 3.6 metros de 2025). Com assoalho menor, o carro também está 150 milímetros mais baixo. Os pneus também estão menores.

Outra grande mudança foi o fim do DRS, o sistema de redução de arrasto - que dava mais velocidade aos carros nas retas -, que foi substituído pelo sistema de abertura das asas dianteiras e das asas traseiras nos modos "Reta" e "Curva". Ambos serão utilizados em zonas pré-definidas pela FIA. O Modo Reta reduz a angulação das asas para dar mais velocidade, enquanto o Modo Curva é acionado automaticamente ao frear em curvas, dando mais aderência.

Apesar do DRS ter acabado, os pilotos terão outra ferramenta para ganharem velocidade nas retas: o Modo Ultrapassagem, que recorre diretamente à parte elétrica do motor, que talvez seja a maior polêmica do novo regulamento. Buscando a sustentabilidade, a FIA estabeleceu o uso de motores híbridos, com a parte elétrica ganhando muita relevância nas estratégias e planejamentos das equipes e pilotos. O combustível é 100% sustentável e a preocupação agora é com a manutenção e recarga de energia.

Com a exclusão do MGU-H, que recuperava a energia térmica nos motores turbo híbridos, o MGU-K - que recupera a energia cinética que é desperdiçada nas frenagens, convertendo-a em eletricidade para carregar a bateria - ganha extrema relevância. Essa preocupação com a administração das baterias dos carros desagradou os principais pilotos do grid, que alegam que a medida tira o foco da real pilotagem.

Olhos na largada

Divulgação/ Scuderia Ferrari - Lewis Hamilton parece ter dominado a largada nos testes.

Neste domingo, em Melbourne, todas as atenções estarão voltadas para a largada. Em situações comuns, o circuito de Albert Park já não é muito tolerável a erros. Agora, com o novo regulamento, o motor híbrido exige um maior tempo de aceleração para garantir as rotações necessárias para dar a partida, o que rendeu uma série de atrasos e alguns "quase acidentes" na fase de testes no Bahrein. O treino de largadas vem sendo o principal desafio dos pilotos. Dentre eles, quem melhor se adaptou ao novo formato foi Lewis Hamilton, da Ferrari.

Equipes e pilotos

Em 2026, o grid volta a ter 11 equipes, totalizando 22 pilotos. Confira:

McLaren: Lando Norris (Reino Unido) e Oscar Piastri (Austrália)
Mercedes: George Russell (Reino Unido) e Kimi Antonelli (Itália)
Red Bull Racing: Max Verstappen (Holanda) e Isack Hadjar (França/ Argélia)
Ferrari: Lewis Hamilton (Reino Unido) e Charles Leclerc (Mônaco)
Williams: Carlos Sainz Jr (Espanha) e Alexander Albon (Reino Unido/ Tailândia)
Racing Bulls: Liam Lawson (Nova Zelândia) e Arvid Lindblad (Reino Unido)
Aston Martin: Fernando Alonso (Espanha) e Lance Stroll (Canadá)
Haas: Oliver Bearman (Reino Unido) e Esteban Ocon (França)
Audi: Nico Hülkenberg (Alemanha) e Gabriel Bortoleto (Brasil)
Alpine: Pierre Gasly (França) e Franco Colapinto (Argentina)
Cadillac: Sergio Pérez (México) e Valtteri Bottas (Finlândia)

Circuitos da temporada

A temporada 2026 começa na Austrália. Mas o torneio tem 24 etapas, que serão realizadas ao redor do mundo. Confira as datas e os países que sediarão os Grandes Prêmios neste ano:

5 a 8 de março: GP de Melbourne, Austrália
13 a 15 de março: GP de Shangai, China**
26 a 29 de março: GP de Suzuka, Japão
10 a 12 de abril: GP do Bahrein*
17 a 19 de abril: GP de Jeddah, Arábia Saudita*
1º a 3 de maio: GP de Miami, Estados Unidos**
22 a 24 de maio: GP de Montreal, Canadá**
5 a 7 de junho: GP de Mônaco
12 a 14 de junho: GP da Catalunha, Barcelona
26 a 28 de junho: GP da Áustria
3 a 5 de julho: GP da Inglaterra (Silvestone)**
17 a 19 de julho: GP da Bélgica
24 a 26 de julho: GP da Hungria
21 a 23 de agosto: GP da Holanda**
4 a 6 de setembro: GP de Monza, Itália
11 a 13 de setembro: GP de Madri, Espanha
24 a 26 de setembro: GP de Baku, Azerbaijão
9 a 11 de outubro: GP de Singapura (Marina Bay)**
23 a 25 de outubro: GP de Austin, EUA
30 de outubro a 1º de novembro: GP do México
6 a 8 de novembro: GP de Interlagos, Brasil
19 a 22 de novembro: GP de Las Vegas, EUA
27 a 29 de novembro: GP do Qatar
4 a 6 de dezembro: GP de Abu Dhabi
*Por conta da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, a FIA estuda trocar as sedes dos GP's caso o conflito não permita a realização segura das etapas. Portugal, Turquia e Ímola, na Itália, surgem como possíveis sedes substitutas.
**Etapas que terão Sprints.