Conquista de Lucas Pinheiro põe Brasil em grupo seleto da Olimpíada de Inverno
Por Moara Semeghini*
O Brasil fez história na neve! Pela primeira vez, o país subiu ao pódio dos Jogos Olímpicos de Inverno, e logo no lugar mais alto. Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno neste sábado (14). E quis o destino que a estreia brasileira no pódio fosse justamente no lugar mais alto, com um ouro celebradíssimo. O esquiador venceu a prova do slalom gigante, realizada em Bormio, cidade nos Alpes italianos, próxima à divisa com a Suíça, nos Jogos de Milão e Cortina e escreveu o nome do Brasil na história.
Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas Pinheiro é filho de mãe brasileira, natural de Campinas, e pai norueguês. Dois anos após optar por defender o Brasil, ele conquistou o inédito ouro no esqui alpino e colocou o país entre os medalhistas da competição. Lucas costumava passar férias em São Paulo e Campinas, com a família materna.
"Todas as vezes que eu viajava para o Brasil, visitando minha família, eu sempre procurava trazer a cultura brasileira para minha casa, na Noruega. Sou muito feliz por ter esses dois lados. Acho que tem coisas muito legais da cultura da Noruega e do Brasil. Eu quero virar um produto das qualidades das duas", disse.
Slalom gigante
A prova do slalom gigante é disputada em duas descidas por um traçado marcado por mastros fixados na neve, as chamadas "portas", posicionados a cerca de 25 metros de distância entre si. O atleta precisa contornar corretamente cada uma delas. Ao final, vence quem registrar o menor tempo somado nas duas etapas.
Lucas completou o percurso com o tempo total de 2min25s, terminando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, medalhista de prata. O bronze ficou com outro representante da Suíça, Loic Meillard.
Lucas garantiu vantagem já na primeira descida, quando marcou 1min13s92 e assumiu a liderança. Na segunda passagem, registrou 1min11s08, apenas o 11º melhor tempo da etapa, mas o desempenho foi suficiente para manter a dianteira e assegurar o ouro diante dos dois suíços.
Trajetória
Aos 25 anos, Lucas competiu pela Noruega até 2023, quando anunciou que deixaria as pistas. Antes disso, representou o país na Olimpíada de Inverno de Pequim, em 2022, mas não conseguiu concluir as provas que disputou.
Em 2024, reconsiderou a decisão de se aposentar e iniciou o processo para defender o Brasil, país de origem de sua mãe. No ano seguinte, passou oficialmente a competir com as cores brasileiras e acumulou resultados expressivos na Copa do Mundo de esqui alpino, trajetória que culminou no ouro inédito conquistado em Bormio.
Até então, o melhor desempenho do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, nos Jogos de Turim, há duas décadas.
Também participou da prova deste sábado Giovanni Ongaro, nascido em Clusone, na Itália, e igualmente filho de mãe brasileira. Ele encerrou a disputa na 31ª colocação, com o tempo total de 2min34s15.
A medalha de ouro vai render R$ 350 mil a Lucas. A premiação foi definida pelo Comitê Olímpico Brasileiro antes da Olimpíada Paris-2024. Todos os atletas brasileiros que subirem ao pódio receberão valores referentes às premiações. A conquista do ouro rende R$ 350 mil. A prata, R$ 210 mil, enquanto o bronze é equivalente a R$ 140 mil em premiação.
Feito histórico
Com a conquista de Lucas, o Brasil se tornou o primeiro país latino-americano a conquistar uma medalha na Olimpíada de Inverno. Mais do que isso, o Brasil se tornou apenas o terceiro país do Hemisfério Sul a conseguir uma medalha no torneio, se juntando a Nova Zelândia e Austrália nesse grupo seleto.
O Brasil também se consagrou como o primeiro país de clima tropical a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno. Um feito histórico!
*Com informações da Agência Brasil
