A contestada presença do ICE nos Jogos Olímpicos de Inverno
O ICE, serviço de imigração e controle de alfândegas dos Estados Unidos, indica que agentes vão trabalhar na segurança da delegação norte-americana durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-Cortina, e a medida causa incômodo e protestos em solo italiano. A cerimônia de abertura será na sexta-feira (6) e o torneio vai até o dia 22.
Giuseppe Sala, prefeito de Milão, afirmou que os agentes "não são bem-vindos" à cidade e que o ICE é "uma milícia que mata".
"Esta é uma milícia que mata. Está claro que não são bem-vindos em Milão, não há dúvida disso. Será que simplesmente não podemos dizer não a Trump [presidente dos EUA] de uma vez por todas?", disse Sala em entrevista à emissora RTL 102.5 Radio.
De acordo com a Associated Press, a "Homeland Security Investigations (HSI), que é uma unidade do ICE focada em crimes transfronteiriços, costuma enviar agentes para eventos no exterior com o objetivo de auxiliar na segurança".
Ainda segundo a agência, o HSI é um segmento distinto ao de Operações de Execução e Remoção (ERO), que é a linha de frente que atua na repressão à imigração nos Estados Unidos.
Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores, concedeu uma resposta mais ponderada sobre o assunto. "Não estamos falando dos agentes do ICE que estavam nas ruas de Minneapolis... Não é como se a SS [polícia nazista] estivesse chegando", disse, durante evento em memória do Holocausto.
Ainda assim, houve protestos e demonstrações públicas contrárias à presença dos agentes norte-americanos. No último sábado, centenas de manifestantes se reuniram em uma praça em Milão para pedir que os agentes deixem o país.
Nas mãos, os participantes tinham cartazes em que os anéis olímpicos eram formados por algemas e, abaixo, o dizer "No ICE in Milano", "Fora ICE de Milão", em tradução livre.
"Não se trata apenas dos Jogos Olímpicos, mas sim de justiça no mundo. Não queremos a ICE aqui", disse Alessandro Capella, chefe da seção milanesa do Partido Democrático Italiano e um dos organizadores do ato, à AP.
O Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu publicou que "o envio de agentes do ICE para solo europeu - sob o pretexto de escoltar JD Vance e Marco Rubio nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina - é simplesmente inaceitável".
Morte em protesto em Minneapolis
No fim do mês passado, uma ação de agentes do ICE terminou com a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, durante um protesto em Minneapolis.
O ICE é um braço armado que vem sendo utilizado pelo governo de Donald Trump na repressão aos imigrantes nos Estados Unidos.
A morte aumentou a tensão e foi mais um ingrediente em uma onda de protestos que toma conta de diversas cidades do país, e tem o ICE e o presidente Trump como alvos.
No início do ano, também em Minneapolis, um agente do ICE matou a tiros Renee Good, que tinha 37 anos e era moradora do local.
Mudança de nome
Em meio a protestos pela atuação do ICE, três comitês olímpicos dos Estados Unidos - de patinação artística, patinação em velocidade e hóquei - fizeram uma alteração no nome de seu espaço de hospitalidade para atletas. De "Ice House", casa de gelo, em tradução, para "Winter House", casa de inverno.
"Nosso conceito de hospitalidade foi projetado para ser um espaço privado, livre de distrações, onde atletas, suas famílias e amigos possam se reunir para celebrar a experiência única dos Jogos de Inverno. Este nome captura essa visão e se conecta à temporada e ao evento", disseram as federações à Reuters.
Por Folhapress
