Conmebol prepara mudanças para ter Messi na Libertadores em 2027

Entidade segue firma na estratégia de ter o argentino como seu "rosto oficial"

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Por Pedro Sobreiro

Segundo informações da rádio El Espectador Deportes, do Uruguai, a Conmebol preparou a documentação para formalizar a inclusão de times da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) na Copa Libertadores da América a partir da edição 2027.

De acordo com a rádio, a inclusão seria em menor escala, com apenas duas vagas cedidas aos clubes da MLS e da Liga MX (do México). Uma seria conquistada por mérito e a outra seria conquistadas por meio de convite direto da entidade.

Não precisa estar muito antenado ao mundo da bola para saber que o convite provavelmente será feito ao Inter Miami, clube de Lionel Messi na MLS. Basta saber quem será o outro contemplado.

O dono do Inter Miami, Jorge Más, conversou recentemente com o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, sobre a possibilidade de incluir times americanos na Libertadores.

"É um sonho [jogar a Libertadores]. Obviamente, já conversei com a Conmebol sobre a participação na Copa Libertadores. Existem precedentes para clubes mexicanos. Quero jogar na Copa Libertadores, e digo isso publicamente. Acredito que o campeão da MLS merece uma vaga", afirmou o empresário ao Diário Olé.

No evento de lançamento do logo da Copa do Mundo Feminina 2027, realizado na última semana, em Copacabana, Domínguez falou ao ge sobre a conversa e deixou as portas abertas para os clubes.

"É uma questão que eles têm que falar dentro da Concacaf. Já foi feito no passado, mas a gente é muito respeitoso com as outras confederações. Mas, sim, é uma honra que equipes de outra confederação tenham a Libertadores como referência de competição internacional e mundial", afirmou o presidente da Conmebol.

A situação é controversa porque a CONCACAF rejeitou recentemente um pedido da Liga MX de participação na Libertadores, como ocorreu até 2017.

Logística

A situação, porém, exige atenção às confederações que compõe a Conmebol, porque a logística de ter times das Américas Central e do Norte vão causar mudanças nos calendários oficiais.

Ao mesmo tempo em que haverá um ganho esportivo considerável, já que o futebol mexicano é muito forte e o dos EUA conta com investimento e estrutura, a distância dos jogos poderá atrasar os calendários nacionais.

Supondo que uma equipe gaúcha, por exemplo, dispute a Libertadores em 2027 e caia no grupo do Inter Miami. A distância entre Porto Alegre e Miami é de aproximadamente 7 mil quilômetros. A viagem é longa e cansativa, e a equipe possivelmente não teria tempo hábil, segundo as recomendações de tempo de descanso entre jogos, para voltar ao Brasil e disputar a rodada de fim de semana do Brasileirão, por exemplo.

É algo que precisa ser bastante discutido e organizado antes da implementação. Os benefícios podem ser muitos, contanto que a situação não sejam conduzida de forma desorganizada ou apressada.

Projeto Messi

Não é segredo para ninguém que o fator que mudou o jogo foi a presença de Lionel Messi no Inter Miami. Com a morte de Pelé em dezembro de 2022, 11 dias após Messi conquistar a tão sonhada Copa do Mundo e "encerrar" o debate sobre o melhor jogador deste século, a FIFA vem preparando o ídolo argentino para ser o novo rosto do futebol mundial no século XXI.

Assim como Pelé, Messi é considerado um representante perfeito dos valores que a FIFA e a Conmebol buscam transmitir para o mundo.

Ambos são atletas exemplares, carismáticos e com vidas públicas irretocáveis. São pessoas de bem, pouco envolvidas com política, cujas aparições são dadas apenas em situações relacionadas ao mundo da bola.

Ao contrário de Maradona, Messi jamais se envolveu em escândalos de doping, uso de drogas ou acusações de agressões e estupro contra mulheres. Por isso, na própria Argentina, o debate entre "Messi x Maradona" sequer existe mais.

Pai de família, casado com Antonella, amiga de infância, confiante, mas não arrogante e sempre com uma imagem serena e divertida, Messi é o exemplo perfeito do que a FIFA busca associar aos seus valores.

Por anos, houve o debate entre Messi ou Cristiano Ronaldo. Qual seria o "rosto" do futebol atual. Porém, a conquista da Copa do Mundo pôs fim a esse debate, que sempre pendeu mais a Messi do que ao "Robozão". O craque português sempre foi exemplar dentro de campo, com muita dedicação esportiva e um compromisso físico inigualável na história do esporte.

Porém, seu extracampo sempre foi mais conturbado. A começar pelo próprio primogênito, Cristiano Ronaldo Júnior, cuja mãe é desconhecida. De acordo com o jornal britânico Daily Mail, a família do jogador teria pago uma quantia milionária para a mulher ceder a guarda total do menino a Cristiano Ronaldo, assinando um acordo oficial de preservação de identidade.

Além disso, sua imagem ficou atrelada a uma acusação de estupro feita pela modelo Kathryn Mayorga, em Las Vegas, em 2009. Cristiano Ronaldo sempre negou as acusações, e chegou a um acordo com a acusadora, em que ele pagou 375 mil dólares para pôr fim ao caso. Em 2022, o caso foi oficialmente arquivado pela justiça americana, alegando que a defesa de Kathryn teria agido com má conduta ao desrespeitar o processo de litígio em 2018.

Mesmo com o caso encerrado, foram décadas de ligação do nome do atleta a essa acusação, indo contra os valores da entidade.

Para a Conmebol, ter Messi como seu "rosto oficial" é ainda mais lógico. Após 80 anos de Pelé representando o Brasil e o futebol sul-americano pelo globo, Messi ter conquistado a Copa do Mundo foi um "presente dos céus" para a entidade máxima do futebol do continente, que poderá explorar a imagem do sul-americano como sinônimo de bom futebol por mais um século.