Relembre a carreira de Oscar Schmidt, o maior da história do basquete brasileiro

Ídolo nacional faleceu nesta sexta-feira (17)

Por PEDRO SOBREIRO

Oscar Schmidt, o 'Mão Santa', faleceu em São Paulo aos 68 anos de idade. Brasileiro foi o maior pontuador da história do basquete.

Na tarde desta sexta-feira (17), a lenda do basquete brasileiro, Oscar Schmidt, faleceu aos 68 anos. O 'Mão Santa', como ficou conhecido por sua precisão fora do normal para arremessos, foi levado às pressas, na manhã daquele mesmo dia, para o Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana do Parnaíba, em São Paulo, após sofrer um mal-estar. O HMSA e o Novo Basquete Brasil (NBB) emitiram comunicados pedindo respeito à família e afirmando que o atleta estaria apenas recebendo atendimento médico.

Na parte da tarde, a assessoria do ex-atleta confirmaria a morte do ídolo do esporte nacional, sem divulgar a causa.
A família comunicou o falecimento com uma nota de pesar.

Confira a nota

"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.
Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.
Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo.
A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.
Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.
Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória", disse a nota.

Natural de Natal, Rio Grande do Norte, Oscar se consagrou como um dos maiores jogadores da história do basquete mundial, um feito incrível, visto que ele jamais disputou a NBA.

Com 49.703 pontos marcados na carreira, o brasileiro foi o maior pontuador da história do esporte até 2024, quando foi superado por LeBron James, no Los Angeles Lakers.

Além disso, Oscar é até os dias de hoje o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos. Ele disputou cinco edições (Moscou-1980 a Atlanta-1996) e marcou 1.093 pontos. Além de ser o maior pontuador das Olimpíadas, ele é o único atleta a superar a marca de mil pontos.

A carreira de Oscar nas quadras começou no Palmeiras em 1975, onde se destacou em 83 partidas. No tradicional Sírio, também de São Paulo, ele deslanchou de vez e foi campeão do Mundial Interclubes de 1979, em pleno Ginásio do Ibirapuera.

Ao longo da carreira, ele defenderia outros times tradicionais do basquete brasileiro, como o Corinthians e o Flamengo, onde encerrou a carreira em 2001.

Em 1984, Oscar foi draftado pelo então New Jersey Nets - atual Brooklyn Nets -, da NBA, mas recusou a contratação para poder continuar jogando em sua verdadeira paixão: a seleção brasileira.

Essa escolha se deu porque a Liga de Basquete dos Estados Unidos impedia que seus atletas disputassem torneios com seleções nacionais. Essa medida sem sentido foi válida até 1989.

Pela seleção, Oscar construiu uma história belíssima. É praticamente impossível falar na Amarelinha sem citar seus feitos. O ala disputou 326 partidas com a seleção entre os anos de 1977 e 1996, mantendo uma média de 23.6 pontos por partida.

Ao longo de sua trajetória com a seleção brasileira, o 'Mão Santa' disputou três mundiais e conquistou três Campeonatos Sul-Americanos de Basquetebol (1977, 1983 e 1985). Mas o grande capítulo de Oscar foi a conquista da medalha de ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, nos EUA.

Na ocasião, o time brasileiro enfrentou o temido time dos Estados Unidos na casa deles. Os americanos eram os grandes favoritos, e eles sabiam disso. Antes da final, o técnico dos EUA, Denny Crum, afirmou que o segredo para buscar o ouro era uma marcação reforçada em cima de Marcel e Oscar.

Em quadra, os EUA largaram na frente, e o Brasil chegou a ficar 20 pontos atrás no placar. Mas o time não se deixou abalar e passou a apostar no aproveitamento absurdo de Oscar e Marcel nas bolas de três para buscar a virada e conquistar o Ouro. EUA 115 x 120 Brasil.

A vitória brasileira representou a primeira derrota da história da seleção dos EUA em casa e em finais. Além disso, interrompeu uma sequência de invencibilidade de 34 partidas dos americanos.

Esse resultado, inclusive, foi um dos catalisadores para a NBA derrubar a cláusula que impedia que seus atletas defendessem seleções, sendo o primeiro passo para a formação do histórico 'Dream Team' na Olimpíada de Barcelona-1992.

Em 2010, Oscar foi incluído no Hall da Fama da FIBA. Mesmo sem jamais ter jogado na NBA, o brasileiro foi incluído no Basketball Hall of Fame, dos EUA, em 2013. Um feito que o imortalizou no esporte internacional.

Em 2011, Oscar foi diagnosticado com um tumor cerebral. Ele travou uma árdua batalha contra o câncer até 2022, quando anunciou que havia se curado da doença. “Eu venci essa batalha”, disse ele.

Com um legado inestimável para o basquete brasileiro, Oscar Schmidt deixa uma esposa e dois filhos.