Rio celebra 10 anos da Olimpíada com balanço do legado para a cidade

Museu do Amanhã inaugurou exposição comemorativa dos 10 anos dos Jogos Olímpicos

Por PEDRO SOBREIRO

O prefeito Eduardo Cavaliere, mostra os uniformes dos voluntários da Rio 2016, expostos no Museu do Amanhã, para o presidente do COB, Marco La Porta

Nesta quarta-feira (5), a Olimpíada de 2016, sediada no Rio de Janeiro, completou uma década. Para celebrar a edição histórica do torneio, a única realizada na América do Sul em toda a história, o Museu do Amanhã inaugurou a exposição "O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro", que ficará em cartaz até o dia 5 de outubro.

O evento reuniu autoridades de diferentes esferas da sociedade, como o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marco La Porta, ex-atletas olímpicos e paralímpicos, e o presidente do COB na época dos Jogos, Carlos Arthur Nuzman. A reportagem do Correio da Manhã tentou contato com Nuzman, mas o ex-presidente não quis dar entrevista.

A cerimônia foi aberta com um discurso do medalhista olímpico Bernard Rajzman, ídolo do vôlei brasileiro, que exaltou a presença de Nuzman e ressaltou que um dos grandes desafios da Rio 2016 foi enfrentar o "complexo de vira-latas" para entregar uma das melhores edições de Olimpíadas de todos os tempos.

"Nessa minha caminhada longa de tantas outras Olimpíadas, de tantos eventos culturais, esportivos... Eu vi pendências que tiveram em eventos mundo afora e posso afirmar que os Jogos do Rio foram um exemplo! Aqui no Rio de Janeiro existe essa história da 'síndrome do vira-lata'. As poucas críticas à Olimpíada do Rio de 2016 foram principalmente de quem morava no Rio de Janeiro, porque o mundo inteiro só teve elogios e gratidão por termos feito uma das melhores Olimpíadas da história. E a gente tem que beatificar uma pessoa que foi responsável, praticamente, por todo o início e por todo o sucesso que a Olimpíada teve: o Nuzman", disse Bernard.

O medalhista olímpico também valorizou o legado para cidade.

"Toda essa transformação pela qual o Rio de Janeiro passou, nos transportes, na hotelaria, na cultura, nos museus, legados esportivos, econômicos... Eles foram fantásticos e só aconteceram por conta da Olimpíada!", concluiu.

Pedro Sobreiro - Em seu discurso, o ídolo do vôlei, Bernard (à esquerda), valorizou a atuação de Carlos Arthur Nuzman (à direita) à frente do COB durante o ciclo da Olimpíada Rio 2016

Legado visível

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, compareceu ao Museu do Amanhã, uma das obras do "Legado Olímpico" para inaugurar a exposição e fazer um balanço do legado dos Jogos para a cidade nesta última década.

Ele ressaltou a revolução no turismo, por exemplo, que revitalizou a rede hoteleira carioca, passando de 28 mil para 56 mil quartos de hotéis na cidade, com 66 novos empreendimentos da área, que atenderam a mais de 12.5 milhões de turistas no último ano.

"A cidade do Rio de Janeiro tem essa vocação de ser a casa dos grandes eventos no nosso continente. Então a cidade se preparou para isso. Reformou seu aeroporto, se colocou como protagonista no mundo nos grandes eventos internacionais, mesmo aqueles que não eram esportivos, como a Eco-92, o G20... Tudo isso contribuiu para o imaginário de que o Rio de Janeiro é a casa desses eventos no mundo. E a Olimpíada ajudou a consolidar essa imagem. Eu faço questão de dizer que a conquista da candidatura dos Jogos Olímpicos foi fruto de muito planejamento e trabalho. O Rio foi uma cidade que se preparou para ter os Jogos, e para que o legado deles fosse além da realização de um grande evento, que pudesse ter os BRTs, a TransBrasil, a TransOlímpica, a TransCarioca, a TransOeste, enfim... Que pudesse ter a Região Portuária renovada, isso foi uma decisão. Se fosse para o Rio sediar os jogos, que a cidade se servisse do que os Jogos tinham a oferecer. Que a cidade do Rio fizesse um processo de preparação para que os cariocas fossem os seus maiores beneficiados. O Rio não vive do que aconteceu em 2016. Vive do que escolheu fazer depois", explicou Cavaliere.

Mobilidade urbana

Outro ponto muito comentado foi a mobilidade urbana. O BRT é o grande exemplo. Desde a inauguração, os ônibus sanfonados atenderam a mais de 1.4 bilhão de passageiros. Segundo o levantamento apresentado, apenas 18% da população carioca tinha acesso a transportes coletivos. Agora, uma década depois, com a consolidação do BRT, cerca de 65% do território carioca é atendido pelo serviço. Sem contar o VLT, que atendeu a mais de 180 milhões de passageiros no mesmo período.

"O legado olímpico não é algo que a gente guarda numa caixa e arquiva. O legado olímpico está vivo e se faz presente na vida dos cariocas. A gente está falando aqui dos BRTs. O BRT é legado olímpico. Terminal Gentileza é legado olímpico. São quatro Ginásios Educacionais Tecnológicos que foram feitos a partir da Arena do Futuro. O Terminal Gentileza era o IBC, o Centro de Mídia da Olimpíada. Quando a gente olha sob essa perspectiva, a gente tá aqui dentro do Museu do Amanhã, na Região Portuária do Rio, que é um grande exemplo do legado no cotidiano dos cariocas. Essa área era uma das mais perigosas do Rio e foi completamente revitalizada, virando um ativo turístico forte. Nossa missão é dar sequência ao plano de legado", concluiu o prefeito.