Seleção brasileira: Quem fica e quem sai após eliminação na Copa

Apenas Danilo e goleiro da base voltam com comissão técnica. Rodrigo Caetano banca permanência de treinador italiano e projeta renovação profunda para a Copa de 2030

Por

Rodrigo Caetano durante coletiva

A melancólica despedida do Brasil na Copa do Mundo ganhou contornos de isolamento na madrugada desta quarta-feira. O voo que trouxe a delegação canarinha de volta ao Rio de Janeiro expôs o tamanho da fratura deixada pela eliminação precoce nas oitavas de final: do elenco de 26 convocados, apenas o lateral-direito Danilo desembarcou em solo nacional.

O defensor dividiu o voo silencioso com dirigentes, membros do estafe e o jovem goleiro Léo Nanetti — que viajou apenas para compor as sessões de treinamento no Mundial. O restante dos atletas seguiu viagem diretamente para seus respectivos clubes no exterior ou destinos de férias.

Carlo Ancelotti demitido? Rodrigo Caetano responde sobre o técnico

Apesar do forte impacto da desclassificação diante da Noruega, o comando técnico da Amarelinha não sofrerá rupturas imediatas. Em pronunciamento no saguão do aeroporto, Rodrigo Caetano, coordenador executivo de seleções, blindou o trabalho da comissão técnica e assegurou que o plano de longo prazo liderado por Carlo Ancelotti está mantido.

"Nossa meta era avançar muito mais no torneio. O cenário global mostrou um equilíbrio absurdo, mas cair nas oitavas foi um golpe duro", admitiu Caetano. "Contudo, o diagnóstico do processo é satisfatório. Se não houvesse essa convicção, a continuidade não seria cogitada por nenhuma das partes. O foco agora é usar o tempo a nosso favor para corrigir as rotas nesta transição de ciclo", completou o dirigente, valorizando a estabilidade administrativa da CBF.

Baixa na comissão técnica

A única baixa confirmada nos bastidores já estava programada antes mesmo do início do torneio: Davide Ancelotti, filho e principal assistente do treinador italiano, se despede do grupo para assumir o cargo de técnico principal do Lille, da França.

Como será a transição geracional para a Copa de 2030

A eliminação precoce acelera um processo inevitável: a aposentadoria internacional de atletas que acumularam frustrações consecutivas em Copas do Mundo. O próprio Danilo, único titular a retornar com a comissão, deve fechar seu ciclo com a camisa verde e amarela.

Ciente do envelhecimento da espinha dorsal da equipe, a coordenação promete oxigenar o vestiário imediatamente. "Muitos líderes que estiveram conosco não têm condições físicas ou cronológicas de chegar ao próximo Mundial. Isso abre uma avenida de oportunidades para os mais novos. A prioridade técnica é integrar essa nova safra o quanto antes para reencontrar o caminho das vitórias", enfatizou Rodrigo Caetano.

Amistosos em setembro confirmados

O recomeço do Brasil já tem data e local para acontecer. Em setembro, na primeira janela de datas Fifa pós-Mundial, a seleção fará uma excursão na Oceania, onde enfrentará a Austrália em dois amistosos confirmados. A diretoria ainda costura os detalhes para fechar um terceiro confronto no mesmo período.

O planejamento para a próxima convocação já está em andamento. Nomes como Endrick, Rayan, Estêvão e Andrey Santos — que lideraram as categorias de base recentemente — devem ganhar papel de protagonismo absoluto no time principal de Ancelotti.

"O mercado do futebol nivelou por cima, o jogo atual exige uma impressão física extrema e qualquer adversário cria barreiras complexas. Mas o Brasil nunca deixou de produzir matéria-prima de elite. Nosso papel fundamental é organizar esse talento bruto para que o país volte a dominar o cenário internacional", concluiu o coordenador.