Aos 15 anos, atleta de São Roque (SP) representará o Brasil no CrossFit Games
Jovem atleta paulista supera desafios, conquista vaga entre as melhores do planeta e representará o país na principal competição de CrossFit do mundo
Aos 15 anos, a jovem Babi Caetano já alcançou um feito reservado a poucos atletas do planeta. Moradora de São Roque, no interior de São Paulo, ela conquistou uma vaga no CrossFit Games 2026, principal competição da modalidade no mundo, e levará consigo as cores de sua cidade, do estado e do Brasil para a Califórnia. Mais do que uma classificação internacional, a trajetória da atleta é marcada por superação, disciplina e um sonho que parecia distante, mas que hoje se tornou realidade.
Filha de Karina e Daniel Caetano, proprietários da CrossFit São Roque, Babi será uma das duas brasileiras classificadas para a categoria Teenage 14-15, divisão destinada a atletas adolescentes de 14 e 15 anos. A competição reunirá os melhores jovens do mundo entre os dias 24 e 26 de julho, em San Jose, na Califórnia, nos Estados Unidos, durante a temporada comemorativa dos 20 anos do CrossFit Games.
E a classificação da brasileira não veio por acaso. Babi terminou a semifinal mundial em 17º lugar. Entre as brasileiras da categoria feminina 14-15, apenas ela e Roxy Rebane, de 14 anos, garantiram vaga para o mundial.
O caminho até a Califórnia
A caminhada até o CrossFit Games foi longa e exigiu meses de preparação e etapas classificatórias disputadas por atletas do mundo inteiro. Tudo começou em fevereiro, com o Open, primeira fase do sistema de classificação do mundial e considerada a maior competição participativa do CrossFit. Nela, atletas de diversos países competem simultaneamente em busca de uma vaga entre os melhores.
Na categoria juvenil, apenas os 25% melhores avançavam às quartas de final. Babi não apenas garantiu classificação, como confirmou seu talento em nível internacional. Ela terminou as quartas de final em 17º lugar no ranking mundial e como a segunda melhor brasileira da categoria, resultado que lhe assegurou presença nas semifinais. "Nas quartas de final eu fiquei em 17º do ranking mundial e fui a segunda melhor brasileira. Com isso, consegui participar das semifinais", relembra.
A etapa seguinte exigiu ainda mais rigor. Diferentemente das competições presenciais, as semifinais foram realizadas por meio de vídeos enviados à organização internacional. Cada prova precisou ser gravada obedecendo a regras rígidas, com arbitragem oficial e cumprimento de todas as exigências técnicas. "Gravei todas as provas, com todas as exigências, com a presença de árbitros. Foi um processo muito intenso e desafiador. Com os vídeos eu conquistei a tão sonhada vaga para a Califórnia."
O resultado foi histórico: presença garantida na maior arena do CrossFit internacional.
Desde a infância
Mas o feito ganha ainda mais dimensão quando se conhece a história da atleta. O primeiro contato de Babi com o esporte aconteceu ainda na infância. Aos seis ou sete anos, ela acompanhava os pais nos treinos e participou do CrossFit Kids por cerca de dois anos. A pandemia, no entanto, interrompeu esse caminho e trouxe consequências difíceis para uma menina ainda em formação.
"O meu primeiro contato com o CrossFit foi com seis, sete anos. Meus pais começaram a praticar e eu ia junto. Fiz CrossFit Kids por dois anos, mas por conta da pandemia eu precisei parar."
A interrupção das atividades físicas acabou levando ao sedentarismo e à obesidade. A mudança começou quando a família assumiu a CrossFit São Roque e decidiu transformar hábitos e rotinas. "Essa parada não foi muito boa para mim. Eu tive obesidade e sedentarismo. Quando minha mãe comprou a CrossFit São Roque, a gente decidiu que precisava mudar. Passei com nutricionista e comecei de forma leve. Não gostava muito, porque adolescente é assim, mas acabou virando minha paixão."
O que começou como uma busca por qualidade de vida logo se transformou em sonho esportivo. Vieram os campeonatos amadores e, depois, a decisão de mirar mais alto. "Eu fiz meu primeiro TCB 4 All e me classifiquei para a seletiva. Lá foi difícil para mim, mas foi ali que pensei: eu preciso treinar, preciso me dedicar, porque quero ter um futuro."
Desde então, a rotina ganhou novos contornos. Há cerca de um ano, o objetivo passou a ter nome e sobrenome: CrossFit Games. Para chegar até a elite mundial, Babi intensificou os treinos, incorporando planilhas de endurance, corrida e aulas específicas de movimentos ginásticos, além do acompanhamento diário dos coaches Guilherme e Karina. "Desde o ano passado eu coloquei como meta passar para o Games. Estou há um ano na preparação."
Para a jovem atleta, a classificação vai muito além de rankings e resultados esportivos. A conquista é compartilhada com a família, os treinadores, a CrossFit São Roque e toda a comunidade que acompanha sua trajetória.
"Eu nunca pensei que isso poderia acontecer, nem nos meus maiores sonhos. Poder representar o Brasil e poder representar São Roque é algo mais incrível ainda. Na verdade, não é só o meu sonho. Também é o legado da CrossFit São Roque, da minha família e da comunidade que torce por mim e me apoia todos os dias."
A ficha ainda não caiu completamente. Afinal, é difícil dimensionar o tamanho do feito alcançado por uma adolescente do interior paulista que agora integra a elite mundial do esporte em sua categoria. "Eu estou muito feliz com a classificação. Ainda nem caiu a ficha que eu passei, mas prometo representar São Roque e o Brasil da melhor forma que eu puder."
Em julho, quando entrar na arena na Califórnia, Babi Caetano carregará muito mais do que a responsabilidade de uma competição internacional. Levará consigo a história de uma jovem que transformou dificuldades em combustível, encontrou no esporte um propósito e fez de um sonho improvável uma realidade.
A pequena Bárbara já fez história. E, aos 15 anos, dá sinais de que esta é apenas a primeira de muitas páginas que ainda escreverá no esporte brasileiro.