GDF recua, mas Sinpro-DF mantém paralisação

Por Mateus Lincoln - BSB

Categoria questiona o sistema EducaDF implantado na rede

Mesmo com o recuo do governo do Distrito Federal (GDF), o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) decidiu manter a paralisação anunciada para esta quinta-feira (23). A categoria cobra o pagamento integral da jornada de trabalho conforme o piso e contesta as mudanças no sistema EducaDF, que reduziram salários dos contratos temporários.

Na noite da última terça-feira, a governadora Celina Leão (PP) anunciou a revogação da portaria 167, que alterava o cálculo da remuneração de professores com contrato temporário.

A decisão ocorreu após a mobilização do Sinpro e análise da Secretária de Educação, Iêdes Soares Braga, que apontou um impacto desigual nos valores recebidos. A medida havia sido adotada com base em nova metodologia aplicada pelo sistema EducaDF, usado para registro de atividades escolares.

O sindicato relatou perdas nos vencimentos e nas horas destinadas à coordenação pedagógica. Celina informou, em comunicado à Agência Brasília, que a alteração poderia elevar ganhos de parte do grupo, mas também reduzir pagamentos de outros.

Segundo a governadora, a suspensão será formalizada em edição extra do Diário Oficial (DODF). Também foi anunciada a criação de um grupo de trabalho para rediscutir o tema. A proposta é incluir representantes do Sinpro para construir uma solução que preserve os rendimentos.

A Secretaria de Educação informou que a orientação é restabelecer a previsibilidade dos pagamentos e corrigir distorções identificadas.

Entre as demandas apresentadas pelo Sinpro-DF estão o retorno ao modelo baseado na jornada de 20h ou 40h, a garantia integral da carga de coordenação pedagógica e a revisão de eventuais erros. A categoria também questiona a viabilidade do EducaDF nas escolas da rede pública. O sistema, implantado para gestão de diários de classe, segue como ponto de debate nas negociações, que continuam abertas e sem acordo até o momento.