Lideranças sociais organizam fórum para combater violência política

Articulação surge após registros de ataques dentro das dependências da Câmara

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Da Redação

Movimentos sociais de Campinas oficializaram a criação do Fórum Permanente de Luta contra a Violência Política de Gênero e o Feminicídio como uma reação direta à recente escalada de intimidações sofridas pela vereadora Guida Calixto (PT-SP).

A articulação surge após registros de ataques perpetrados dentro das dependências da Câmara Municipal (leia abaixo).

O movimento defende que tais práticas configuram violações à Lei Federal 14.192/2021, que estabelece normas para reprimir a violência política de gênero e assegurar o exercício pleno dos mandatos eletivos por mulheres.

Para as entidades que compõem o novo fórum, as ações contra são reflexos da chamada cultura redpill, caracterizada pela propagação de ódio sistemático e perseguição a mulheres, articulada principalmente em fóruns e redes sociais.

Entenda o caso

Em 14 de janeiro janeiro, Calixto compareceu à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas para formalizar um boletim de ocorrência, alegando episódios de perseguição e violência política. Segundo o relato da parlamentar, os fatos ganharam gravidade quando militantes de extrema-direita invadiram as dependências do gabinete dela, na Câmara Municipal, para proferir ofensas e realizar atos de intimidação direta contra ela, quando contra uma das assessoras. Afirma que essa investida física foi precedida por ataques sistemáticos em ambientes digitais e por manifestações agressivas que visam desestabilizar o exercício do mandato democrático.

Sustenta que as agressões são reações contrárias à atuação legislativa em defesa dos direitos das mulheres e ao combate rigoroso ao feminicídio no município.

Ainda de acordo com a vereadora, os grupos envolvidos nas hostilidades manifestam oposição explícita a medidas de proteção feminina, como a utilização de tornozeleiras eletrônicas para o monitoramento de agressores.

A parlamentar declara que a presença desses indivíduos no espaço institucional da Câmara teve o intuito de cercear a liberdade de expressão e impedir o avanço de pautas progressistas, que confrontam a agenda dos grupos extremistas. Para Calixto, a violência política de gênero é o eixo central desses ataques, que buscam excluir mulheres negras e representantes de movimentos populares dos espaços de decisão pública. Ressalta que a invasão do gabinete constitui uma quebra de segurança intolerável e uma tentativa de controle moral a conduta parlamentar. Pontua ainda que a identificação dos agressores, por meio de registros de imagem e testemunhos, é fundamental para que o sistema de justiça interrompa o ciclo de impunidade que alimenta o fanatismo político na região de Campinas.

Enfatiza que a formalização do registro policial busca garantir medidas protetivas que impeçam a aproximação dos agressores ao gabinete e que preservem a integridade física e psicológica, tanto dela como das assessoras.

Eeitera que não se deixará intimidar pelas ameaças e que a denúncia serve como um alerta sobre a necessidade de protocolos mais rígidos de segurança no Legislativo municipal.

Para a vereadora, a manutenção da democracia exige que o parlamento seja um local seguro para o debate de ideias e que ataques coordenados contra mandatos legitimamente eleitos sejam tratados com o rigor da lei penal.

Red Pill

Estrutura-se como uma subcultura digital dedicada à disseminação de retórica misógina e teorias de dominação masculina sob a justificativa de revelar uma suposta manipulação social operada por mulheres. Através de fóruns e redes sociais, promove a ideia de que os homens devem adotar posturas de frieza emocional e controle absoluto para evitar a opressão feminina.

Estudos sobre direitos humanos indicam que essa ideologia influencia o comportamento de jovens ao converter o ressentimento pessoal em uma pauta de exclusão social e que a disseminação desses conteúdos está associada estatisticamente ao crescimento de casos de violência.