Coquetel lançado em Campinas pretende transformar biorrefinarias
Brasil ainda depende de enzimas importadas sem similar comercial nacional disponível
Da Redação
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, lançou a chamada pública para distribuição de amostras de um insumo biotecnológico vital para biorrefinarias. O coquetel enzimático denominado OpEn, desenvolvido inteiramente no Brasil, tem potencial para revolucionar a produção de biocombustíveis e bioprodutos no país - segundo o laboratório brasileiro.
Atualmente, o Brasil ainda depende de enzimas importadas sem similar nacional disponível em escala comercial.
"O coquetel OpEn é uma tecnologia habilitadora para biorrefinarias, resultado de 15 anos de investimento e pesquisa em biotecnologia avançada, e que motivou a criação de uma área do CNPEM com potencial de geração de autonomia tecnológica de ponta a ponta para a produção nacional sustentável de energia e outros bioprodutos", explica Mario Murakami, diretor do Laboratório Nacional de Biorrenováveis do CNPEM.
Benefícios
Produzido a partir de subprodutos da indústria sucroenergética, OpEn possui baixo custo, não gera resíduos e ainda permite o aproveitamento da biomassa remanescente como ração animal. A tecnologia foi customizada para atender às condições específicas das biorrefinarias brasileiras, com alta flexibilidade para diferentes matérias-primas, incluindo resíduos da cana-de-açúcar, milho e florestais.
O coquetel já foi validado em planta piloto com 100% de reprodutibilidade, e mais de cinco toneladas foram produzidas e validadas até o momento.
A tecnologia OpEn possui adaptações que incluem modificações genéticas em enzimas do fungo Trichoderma reesei, visando aumentar a produtividade e a eficiência da conversão de resíduos agroindustriais em energia, alimentos e bioquímicos.
Além da produção de etanol 2G e 1.5G, OpEn pode ser aplicado em processos industriais integrados, nutrição animal e novas rotas de despolimerização de biomassa.
"A tecnologia OpEn é fruto da integração de diversas infraestruturas e expertises do CNPEM, demonstrando como nossa capacidade multidisciplinar pode transformar o Brasil de produtor de commodities em desenvolvedor de biotecnologias avançadas. Por aliar sustentabilidade e inovação, este coquetel enzimático é estratégico para nossa bioeconomia e colabora para posicionar o país na vanguarda da produção de biocombustíveis e bioprodutos", destaca Antonio José Roque da Silva, Diretor-Geral do CNPEM.
Distribuição
A distribuição do coquetel OpEn é voltada a pesquisadores de instituições acadêmicas e científicas sem fins lucrativos interessados em co-desenvolver, customizar e aprimorar a tecnologia para diferentes cadeias produtivas e tipos de biomassa vegetal. O público-alvo inclui pesquisadores acadêmicos vinculados a ICTs públicas ou privadas, universidades e centros de pesquisa. Empresas e startups também podem solicitar a tecnologia, mediante avaliação direta do CNPEM.
A chamada pública permite que instituições acadêmicas brasileiras recebam gratuitamente uma amostra de 250 ml do coquetel para testes laboratoriais, mediante aprovação e assinatura de um Termo de Transferência de Material (MTA). As solicitações devem ser feitas por meio da plataforma exclusiva de atendimento a usuários do CNPEM, SAU Online.
Etanol 2G e 1.5G
O etanol de segunda geração (2G) é produzido a partir de resíduos vegetais como bagaço e palha de cana-de-açúcar, que normalmente não são utilizados na produção convencional (1G), baseada no caldo da cana.
Já o etanol 1.5G maximiza o uso dos grãos de milho, incluindo frações residuais do processamento, permitindo maior aproveitamento da biomassa sem requerer adaptação de infraestrutura industrial.