Unicamp quer cotas em 100% da pós-graduação
Da Redação
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estabeleceu o objetivo de implementar políticas de ações afirmativas em todos os seus 84 programas de pós-graduação até o encerramento de 2026. A meta visa universalizar as iniciativas de inclusão que hoje já alcançam 89% dos cursos da instituição. O anúncio ocorreu durante um seminário realizado no auditório da Faculdade de Engenharia Química, onde gestores e especialistas discutiram o estágio atual e os desdobramentos das medidas de equidade no ensino superior. O debate acadêmico também contou com a perspectiva histórica de Débora Jefrey, diretora da Faculdade de Educação, que relembrou o papel fundamental do movimento estudantil na consolidação dessas pautas.
Durante o evento, foi sugerido que a universidade avance na estrutura administrativa, propondo a criação de uma secretaria ou pró-reitoria dedicada exclusivamente às políticas afirmativas. O seminário serviu como plataforma de intercâmbio com especialistas da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Minas Gerais, que contribuíram para a análise do cenário nacional de inclusão e para o fortalecimento das estratégias institucionais que buscam garantir a diversidade no ambiente da pesquisa avançada e da formação acadêmica de alto nível.
Processo
A trajetória das ações afirmativas na Unicamp apresenta um crescimento acelerado nos últimos anos. Embora a pró-reitora reconheça que a universidade iniciou esse processo com certo atraso, em relação a outras instituições, o índice atual de 89% é considerado um avanço positivo que pavimenta o caminho para a cobertura total ainda este ano. Desde 2023, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação mantém um núcleo especializado para orientar e acompanhar a execução dessas políticas nos departamentos, garantindo suporte técnico para a implementação das medidas.
O momento atual da universidade é de diagnóstico e aprimoramento das ferramentas de inclusão. A fase vigente foca na avaliação dos resultados para identificar pontos passíveis de melhoria, embora a eficácia geral dos programas já seja observada pela administração central.
O histórico das cotas na Unicamp remete a 2017, quando foram aprovadas após anos de pressão social, passando a integrar o vestibular a partir de 2019.